Texto baseado na Coluna do SINMED-AL de 22 de março de 2026
AR NEWS 24h
Maceió,22 de março de 2026 - O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed) divulgou, neste domingo (22), nota em sua coluna institucional questionando a falta de transparência na aplicação de recursos públicos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Sob o título "Ladeira Abaixo", o texto aborda a polarização do debate sobre saúde pública nas redes sociais e cobra esclarecimentos sobre valores elevados pagos por plantões médicos extras.
Segundo a entidade, enquanto depoimentos sobre falhas na assistência e denúncias sobre mau uso de recursos se multiplicam nas plataformas digitais, a categoria recebe com estranheza a divulgação de pagamentos expressivos por plantões extraordinários. O Sinmed destaca que, entre os servidores efetivos da saúde estadual, não há previsão de pagamento de horas extras. Muitos profissionais, inclusive, tiveram suas cargas horárias reduzidas sem compensação financeira ou reposição adequada.
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| Sinmed cobra transparência da Sesau sobre pagamentos de plantões extras |
Diante desse cenário, o sindicato defende que a Sesau adote medidas imediatas para garantir transparência na gestão dos recursos destinados aos plantões extras. A entidade solicita a divulgação integral da lista de pagamentos, contendo: identificação dos profissionais beneficiados, valores recebidos, locais de realização dos atendimentos e justificativa técnica para as contratações.
"Em nome da transparência, o ideal seria mostrar quem recebeu e quanto recebeu na citada lista de plantões extras da Sesau, e onde os serviços foram realizados", afirma o texto da coluna.
Irregularidades apontadas exigem apuração
Observações adicionais trazidas por veículos de imprensa, como o AR News 24h, indicam a existência de servidores efetivos e não efetivos que, embora inseridos na escala de plantão, deixam de comparecer ao serviço. Em alguns casos, limitam-se ao registro do ponto de entrada, ausentam-se da unidade laboral e retornam posteriormente tão somente para o registro da saída.
Verificam-se, ainda, situações em que servidores, embora em "licença" no Hospital Geral do Estado (HGE), figuram no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) como ativos em unidades de saúde do interior, com carga horária semanal de 40 horas, ou mesmo trabalhando em consultórios particulares, hospitais e no município de Maceió.
Diante de tais indícios, seria plenamente cabível que o Sinmed também solicitasse informações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), com vistas à devida apuração dos fatos e à promoção da transparência na gestão pública. O uso desse instrumento legal permitiria acesso a dados oficiais que poderiam confirmar ou esclarecer as irregularidades apontadas, fortalecendo o controle social sobre os recursos da saúde.
O Sinmed reforça que a cobrança por esclarecimentos não se trata de questionamento à remuneração justa pelo trabalho médico, mas de defesa de critérios isonômicos e públicos na aplicação dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). A entidade alerta que a ausência de transparência alimenta desconfianças e prejudica a credibilidade das políticas públicas de saúde.
A nota conclui que a fiscalização e a cobrança por gestão responsável constituem exercícios legítimos de cidadania. O Sinmed reitera seu compromisso com a valorização do trabalho médico, com a defesa do SUS e com a transparência na aplicação dos recursos públicos, convidando o governo do estado a abrir canal permanente de diálogo com as entidades representativas da categoria.
Sobre o Sinmed-AL
O Sindicato dos Médicos de Alagoas é a entidade representativa da categoria médica no estado, com atuação na defesa dos direitos profissionais, na qualificação do atendimento à saúde e no fortalecimento do SUS. O Sinmed mantém canais abertos para receber demandas dos associados e da sociedade, atuando de forma institucional junto aos poderes constituídos.