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Antártida: Granito rosa e o "gigante escondido" sob as montanhas Hudson


POR AR NEWS 24H, GEOCIÊNCIAS

A Antártida é frequentemente descrita como um deserto branco e estático, mas sob os quilômetros de gelo da Geleira Pine Island, o continente guarda cicatrizes geológicas que contam uma história de fragmentação continental e fluxos glaciais dinâmicos. Recentemente, uma equipe do British Antarctic Survey (BAS) transformou um mistério mineralógico em uma descoberta estrutural de proporções colossais: um corpo de granito enterrado com dimensões comparáveis a metade do território do País de Gales.

rochas de granito rosa
Rocha de granito rosa


O ponto de partida dessa investigação não foram radares sofisticados, mas algo visível a olho nu: picos vulcânicos escuros nas Montanhas Hudson salpicados por blocos erráticos de granito rosa . O contraste cromático era o primeiro indício de que aquelas rochas não pertenciam àquele lugar.

O Relógio Atômico do Jurássico

Para entender a origem dessas rochas, os pesquisadores utilizaram a geocronologia de alta precisão. Ao analisar o decaimento radioativo de elementos traçados em cristais microscópicos (como o zircão), o estudo publicado na Nature Communications Earth & Environment cravou uma data: 175 milhões de anos.

Essa datação remete ao Período Jurássico, época em que o supercontinente Gondwana começava a se fragmentar. O granito rosa é, na verdade, um remanescente do magmatismo que ocorreu quando a crosta terrestre se esticou e afinou, permitindo que grandes corpos de rocha fundida (plutons) resfriassem lentamente sob a superfície.

Geofísica: Mapeando o Invisível

Como pedregulhos de 175 milhões de anos foram parar no topo de montanhas vulcânicas muito mais jovens? A resposta estava escondida sob a Geleira Pine Island. Através de levantamentos aéreos com a aeronave Twin Otter, o BAS detectou anomalias na força gravitacional da região.

"A gravimetria nos revelou um corpo densitário distinto: uma massa de granito com cerca de 100 km de diâmetro e 7 km de espessura ", explica o geofísico Dr. Tom Jordan.

Essa massa agia como a "rocha-mãe". Durante a última era glacial (há cerca de 20 mil anos), quando a camada de gelo era significativamente mais espessa e potente, a geleira funcionou como uma lixa gigantesca, arrancando blocos desse granito do leito rochoso e transportando-os encosta acima, depositando-os nas Montanhas Hudson.

Por que isso importa hoje?

Esta não é apenas uma curiosidade sobre pedras coloridas. O mapeamento desse "gigante escondido" é uma peça fundamental para os modelos climáticos atuais.

  • Reconstrução Histórica: Entender como o gelo fluiu há 20 mil anos ajuda a calibrar os modelos computacionais sobre o comportamento das calotas polares.
  • Previsão do Nível do Mar: A Geleira Pine Island é uma das que mais perdem massa na Antártida. Conhecer a topografia e a geologia de seu leito (se é granito áspero ou sedimento liso) altera diretamente a velocidade com que o gelo desliza em direção ao oceano.

A descoberta prova que, na geologia antártica, a superfície é apenas o prefácio de uma história muito mais profunda e complexa, escrita em cristais e gravidade.

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