
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria afirmado que destinou R$30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para ajudar a financiar o documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9). De acordo com a publicação, o suposto pagamento estaria ligado a negociações para obter acesso a fundos de pensão de servidores federais. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, afirmaram que Vorcaro não prestou depoimento com esse conteúdo, e as acusações não foram comprovadas.
Daniel Vorcaro teria relacionado pagamentos a fundos de pensão
Segundo a Veja, o ex-banqueiro relatou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria intermediado negociações envolvendo o credenciamento do Banco Master junto a fundos ligados ao Banco do Brasil, à Caixa e à Previ. A publicação afirma que os pagamentos seriam uma contrapartida para viabilizar as operações.
O documentário citado é Lula (2024), dirigido por Oliver Stone. A revista também divulgou um áudio atribuído a Vorcaro no qual uma voz masculina afirma que o dinheiro destinado ao filme teria sido repassado de maneira irregular.
PF e PGR contestam informações sobre suposta delação
Em nota, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito pela revista nem entregou documentos ou anexos com esse conteúdo à instituição. A corporação acrescentou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais.
A PGR informou que as tratativas foram conduzidas por advogados e que não houve depoimento oral de Vorcaro. A Procuradoria também declarou que os motivos da rejeição das propostas foram apresentados à defesa, sem divulgar detalhes do procedimento protegido por sigilo.
Instituto Lula e campanha negam acusações
O Instituto Lula declarou que o documentário foi uma iniciativa exclusiva de Oliver Stone e negou participação na produção ou captação de recursos. A campanha presidencial de Lula classificou a reportagem como irresponsável e afirmou que tomará medidas judiciais.
A defesa de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também negou as acusações e classificou o relato como falso. Até o momento, as informações divulgadas pela Veja não comprovam que os pagamentos tenham sido realizados nem que tenha existido contrapartida envolvendo fundos de pensão.
