30 de setembro de 2020: o dia em que Renan Filho apostou alto no saneamento
No dia 30 de setembro de 2020, Alagoas entrou para a história do saneamento brasileiro. Foi nessa data que o governo de Renan Filho (MDB) realizou o leilão da concessão dos serviços de água e esgoto da Região Metropolitana de Maceió, o chamado Bloco A. A vencedora foi a BRK Ambiental, em um dos maiores leilões do setor no país até então. Seis anos depois, o episódio voltou ao centro do debate político — e as promessas feitas naquele dia continuam sendo cobradas.
O que foi prometido
À época, o discurso oficial era de otimismo. A concessão foi apresentada como uma "virada de página" no saneamento alagoano. O contrato estabelecia metas claras: universalizar o abastecimento de água em até seis anos — ou seja, com previsão de conclusão em 2026 — e ampliar significativamente a rede de esgotamento sanitário, historicamente deficitária no estado.
"6 anos atrás, no dia 30 de setembro de 2020, Renanzinho vendia a água dos alagoanos. No mesmo dia ele prometeu que a conta não ia aumentar. Prometeu que Alagoas ia ter água na torneira e saneamento pra todos. Nada disso aconteceu. São 6 anos de sofrimento!" JHC
Pelo modelo adotado, a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) manteve a responsabilidade pela captação e pelo tratamento da água, enquanto a BRK assumiu a distribuição e a gestão comercial em parte dos municípios atendidos. A promessa que mais marcou o imaginário popular, porém, foi outra: a de que a conta de água não iria aumentar e que o serviço chegaria, enfim, a toda a população.
A cobrança seis anos depois
É justamente sobre o cumprimento dessas promessas que recai a crítica política atual. Ao recordar a data, o prefeito de Maceió, JHC (PSDB), afirmou que, "passados seis anos, a universalização e a melhoria prometidas não se concretizaram para quem mais precisa". Para ele, o que ficou foi a sensação de que a água dos alagoanos foi entregue sem a contrapartida garantida ao cidadão.
Vale uma distinção técnica importante para separar o fato da retórica: o que ocorreu em 2020 foi uma concessão dos serviços de saneamento, e não a venda da água em si — a titularidade do recurso permanece pública. A expressão "venda da água", usada no debate político, funciona como crítica, mas o instrumento jurídico foi a concessão por meio de leilão, com base no maior valor de outorga ofertado.
Por que o prazo de 2026 importa
O ano de 2026 não é uma data qualquer nessa discussão. Ele representa o fim do prazo de seis anos estipulado para a universalização do abastecimento previsto no contrato original. Por isso, chegar a esse marco sem que a meta esteja plenamente cumprida transforma a concessão em um balanço inevitável: entre o que foi assinado em 2020 e o que efetivamente chegou à torneira dos alagoanos.
Para o cidadão comum, a avaliação é mais simples e mais direta: a água chega todos os dias? A rede de esgoto alcançou os bairros que não tinham saneamento? A conta coube no orçamento da família? São essas perguntas que, seis anos depois, continuam no centro da disputa.
Um debate que segue vivo
A concessão de 2020 segue como um dos temas mais sensíveis da política alagoana — reaparecendo em debates, entrevistas e nas redes sociais. De um lado, defende-se que o modelo trouxe investimento privado para um setor crônico de atraso. De outro, cobra-se que as promessas feitas no palanque virem realidade no dia a dia da população.
Entre a narrativa do avanço e a da frustração, fica o fato: Alagoas apostou alto em 2020, e agora, no prazo final combinado, o estado faz as contas do que recebeu em troca.
