
É um fato universalmente reconhecido que a segurança das pessoas e de seus bens é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade organizada e uma das principais obrigações de todo Estado. Contudo, nos tempos atuais, essa tarefa não pode mais se limitar ao território de cada país. De fato, o rápido desenvolvimento da globalização e da tecnologia digital fez com que o crime se tornasse cada vez menos restrito às fronteiras nacionais e, muitas vezes, indetectável pelos sistemas de segurança tradicionais. O Secretário-Geral da Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL), o brasileiro Valdecy Urquiza, afirmou isso com absoluta clareza: "Hoje, a infraestrutura criminosa mais perigosa não conhece fronteiras, é invisível e opera em qualquer lugar do mundo, dia e noite."
Foi justamente para enfrentar esse desafio que a INTERPOL foi criada, cujo Estatuto, em Artigo 2º, estabelece que seus objetivos são "alcançar e desenvolver a mais ampla possível assistência mútua das autoridades policiais criminais".

No entanto, existe um país com mais de 23 milhões de habitantes (quase metade da população da Argentina), que ocupa um lugar central nas cadeias tecnológicas, comerciais e financeiras mundiais, e que permanece excluído dessa assistência mútua: Taiwan. O paradoxo torna-se ainda mais evidente este ano. A 94ª Assembleia Geral da INTERPOL ocorrerá entre 30 de novembro e 3 de dezembro de 2026, em Hong Kong; ou seja, sob a soberania da República Popular da China, o mesmo país que impede Taiwan de participar, mesmo como observador. Cabe ressaltar que Taiwan não é um ator secundário em questões de segurança. Muito pelo contrário. De acordo com o Índice de Segurança de 2026 da Numbeo, Taiwan ocupa o quarto lugar entre 147 países no mundo e o primeiro na Ásia. A ilha registra aproximadamente 1.700 crimes por 100.000 habitantes, dos quais apenas 1,6 são crimes violentos — bem abaixo da média global.
A satisfação dos cidadãos com a atuação da polícia na manutenção da ordem pública chega a quase 86%, enquanto a satisfação com a segurança residencial e da vizinhança atinge 92%. Design de logotipo sério, profissional e empresarial para NUMBEO por JHG | Design nº 3100578. Um dos aspectos que mais impressiona os visitantes da ilha é a completa ausência de presença policial nas ruas, a tranquilidade com que as pessoas vivem e se deslocam, e a total ausência de incidentes de segurança pública. Não há assaltos, batedores de carteira ou furtos em lojas. Se alguém notar a perda de um objeto pessoal, pode retornar ao local exato onde caiu ou foi deixado e quase certamente o encontrará, independentemente do seu valor. Tanto que estrangeiros que vivem e trabalham lá destacam isso como sua principal vantagem.
Na Pesquisa de Clima Empresarial de 2026, publicada pela Câmara Americana de Comércio em Taiwan, seus membros classificaram a segurança pessoal como o maior atrativo da ilha para profissionais estrangeiros pelo décimo ano consecutivo. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram que manteriam ou aumentariam seus investimentos em Taiwan este ano. Qualquer pessoa que já tenha caminhado pelas ruas de Taipei, mesmo à noite, pode confirmar isso. Para os argentinos, acostumados a ver a insegurança no topo das pesquisas de opinião pública ano após ano, esses números parecem vir de outro planeta. Taipei à noite. Mas os crimes da nossa época não podem ser combatidos apenas com um bom policiamento de rua.

Nos últimos vinte anos, Taiwan tem monitorado de perto a evolução dos golpes telefônicos e das fraudes online, emitindo inúmeros alertas às autoridades policiais de outros países. No entanto, a comunidade internacional subestimou a proliferação transnacional desses esquemas e não conseguiu estabelecer um mecanismo multilateral de defesa em tempo hábil. Organizações criminosas têm explorado com sucesso as plataformas digitais, adotando novos modelos de negócios, como o "cibercrime como serviço", e estabeleceram verdadeiros centros de fraude em escala industrial no Sudeste Asiático. Algumas dessas organizações chegam a se envolver em exploração sexual, tráfico de órgãos e outras formas graves de tráfico de pessoas. Tais centros representam um grande desafio para a economia global, a segurança dos cidadãos e os direitos humanos fundamentais.
