“Ele sempre falava que queria viver”: namorada relata últimos dias de Gabriel no HGE e questiona assistência
Narah Sofia, namorada de Gabriel Williamy Oliveira da Silva, de 20 anos, relata os últimos dias do jovem durante a internação no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e questiona a assistência prestada antes da morte dele.
De acordo com Narah, Gabriel apresentava episódios de queda rápida na saturação e precisava ser aspirado. Ela afirma que, após um desses episódios, um médico informou que o jovem havia dessaturando e precisando de atendimento às pressas. Gabriel, porém, teria dito à namorada que não se lembrava do que havia acontecido.
“Disseram: ‘Gabriel, depois desse seu caso, você vai ficar em observação’. Que observação foi essa? Porque ele faleceu por esse mesmo motivo”, questionou.
Orientação para comprar oxímetro
Narah afirma ainda que profissionais orientaram a família a comprar um oxímetro para acompanhar Gabriel, porque, segundo o relato dela, o equipamento não estaria disponível na enfermaria.
Da quinta-feira à notícia da morte
A jovem conta que Gabriel estava bem na quinta-feira anterior à morte. Na manhã seguinte, recebeu da mãe a notícia de que o namorado havia falecido.
“Eu só me perguntei o porquê não olharam ele.”
Em um dos momentos mais emocionados do relato, Narah lembrou dos planos que o namorado fazia para quando deixasse o hospital.
“Ele falava: ‘Quando eu sair, pensei em fazer um concurso, pensei em vender salgado para ajudar a gente’. Ele sempre falava que queria viver.”
A namorada atribui a morte a uma suposta negligência no atendimento.
O que o relato aponta
O depoimento de Narah acrescenta novos elementos à história já contada pela sogra, Anna Carla. Se o primeiro relato tratava da rotina de internação e da evolução clínica do jovem, o segundo concentra-se nos dias que antecederam o óbito e levanta três pontos:
- os episódios de dessaturação,
- a promessa de observação após um deles e a
- orientação para que a família adquirisse um oxímetro.
Com esse terceiro relato, os casos do HGE já reúnem recentemente duas famílias e três depoimentos — Anna Carla, Narah e os parentes de Carlos Alexandre e Edmilson. Resta saber o que as autoridades irão fazer para esclarecer mais uma morte nas dependências do HGE. Com a palavra : Polícia de Alagoas, Ministério Público, Conselho Regional de Medicina (CREMAL), SESAU e demais instâncias .
