“Tiraram uma parte da gente”: esposa relata morte do marido dias após alta do HGE e cobra justiça
“Tiraram uma parte da gente, quebraram minhas mãos e meus pés. E o meu filho, hoje, todo dia pergunta pelo pai.”
É assim que Paula Aniceto descreve a dor após a morte do marido, Cristiano Aniceto, aos 40 anos, depois de passar por atendimento e internação no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.
![]() |
| “Meu filho pergunta pelo pai”: a dor da família de Cristiano Aniceto após morte em Maceió |
O primeiro atendimento
Segundo Paula, Cristiano sofreu uma queda, bateu a cabeça e foi encaminhado ao HGE, onde foi constatado traumatismo craniano e sangramento. Ela afirma que, naquele primeiro atendimento, a família foi informada de que não seria necessária cirurgia e que ele recebeu alta com prescrição de medicamento para dor.
A piora e a cirurgia
Nas semanas seguintes, porém, Paula relata que as dores continuaram e que Cristiano passou mal diversas vezes. Após retornar ao atendimento, uma nova tomografia teria mostrado que o sangramento havia se espalhado e comprometia sua coordenação motora. Ele então passou por cirurgia.
A nova alta e o desfecho
Nove dias depois da cirurgia, segundo a esposa, Cristiano recebeu alta. Paula conta que ele sequer conseguiu chegar bem dentro de casa.
“Tiraram ele de dentro do carro já nos braços das pessoas, passando mal.”
O SAMU foi acionado. De acordo com Paula, foram mais de 1h30 de tentativas de reanimação e cinco paradas cardíacas. Cristiano retornou ao HGE, onde morreu.
“No dia da alta, meu esposo veio a óbito”, desabafa.
VÍDEO:
“Eu só desejo justiça”: esposa cobra respostas após morte do marido no HGE
A pergunta que fica
Para Paula, restou a revolta com o atendimento e uma dúvida que atravessa todo o relato: a história poderia ter sido diferente caso Cristiano tivesse recebido outra avaliação desde a primeira passagem pelo hospital?
“Eu só desejo justiça. […] Eu sou revoltada porque tiraram um pedaço de mim muito grande.”
O que o relato acrescenta aos casos do HGE
Com Cristiano, o HGE passa a reunir quatro histórias distintas de famílias — Carlos Alexandre, Edmilson Vieira, Gabriel Williamy e agora Cristiano Aniceto. Se os casos anteriores apontavam para falta de material, demora em transferência e falhas de assistência, o novo relato traz um elemento próprio: a evolução de um quadro neurológico após uma primeira alta.
O ponto comum entre todos é a cobrança por respostas que, até agora, só vieram em forma de uma nota oficial do hospital.
