
O enviado especial dos EUA e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, afirmou que a Ucrânia e a Rússia buscam uma solução negociada para a guerra e declarou que as conversas exigem "encontrar a fórmula certa" para avançar. O enviado viajou a Kiev e Moscou no último fim de semana para retomar as negociações com o objetivo de pôr fim à invasão que começou em 2022. "Estamos muito empenhados em encontrar uma solução, e o presidente Trump também", disse ele. "Steve Witkoff, o enviado especial do presidente, e eu também". "Pelo que vimos e ouvimos, o presidente Volodymyr Zelensky está muito empenhado, assim como o presidente Vladimir Putin", declarou Kushner por videoconferência durante a Conferência de Estratégia Europeia de Yalta, em Kiev.
Kushner observou que qualquer acordo final requer consultas detalhadas com ambos os lados, uma definição precisa dos termos e o impulso político necessário para concretizá-lo. "É preciso haver consultas detalhadas com as partes, uma definição de como será o acordo e, então, o impulso necessário precisa ser gerado ou encontrado", afirmou. O enviado alertou que o processo poderia fracassar se as partes não chegarem ao entendimento necessário após as negociações. "Se você trabalhou com ambos os lados, mas não gerou o ímpeto necessário, então não encontrará a oportunidade e não a alcançará", enfatizou. Kushner expressou otimismo quanto à possibilidade de se chegar a uma solução juntamente com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Ambos buscam "encontrar a fórmula certa que, com sorte, funcione para todos e nos permita avançar" após mais de quatro anos de conflito.
Kushner e Witkoff viajaram a Moscou em 5 de setembro, onde se encontraram com o presidente russo, Vladimir Putin. No dia seguinte, reuniram-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev. O conselheiro presidencial russo, Yuri Ushakov, também informou que Putin e Trump conversaram por telefone em 8 de setembro. O ocupante da Casa Branca disse a seu equivalente russo, Vladimir Putin, que busca um fim rápido para a guerra, pois tal desfecho permitiria a normalização completa das relações entre Washington e Moscou, segundo o Kremlin. Durante a conversa, os líderes também discutiram os esforços dos enviados americanos, bem como as trocas de prisioneiros e a situação militar. No sábado, Zelensky rejeitou a ideia de que a guerra com a Rússia pudesse terminar com uma solução "ganha-ganha" e exigiu garantias de segurança para seu país caso Moscou mantenha seus objetivos territoriais.
"Não existe uma situação ganha-ganha nesta guerra. Não pode ser assim, porque houve muitas perdas humanas. A paz é uma vitória em comparação com a guerra, mas já tínhamos paz antes desta guerra, e é por isso que não tenho certeza se é uma situação ganha-ganha". "Ganha-ganha."
A Rússia descartou um encontro entre Putin e Zelensky. O Kremlin descartou um encontro entre os dois líderes durante a cúpula do G20, agendada para meados de dezembro em Miami, no sábado, reiterando que Moscou está considerando apenas um possível encontro na capital russa. "É impossível", respondeu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, quando questionado pela AFP sobre a proposta ucraniana de um encontro bilateral em solo americano. Peskov afirmou que, se Zelensky "realmente quiser se encontrar com Putin, pode vir a Moscou, como Putin já disse".
A condição de que a reunião seja realizada na capital russa é a única proposta formal apresentada pelo Kremlin. Antes dessas declarações, o conselheiro presidencial russo Yuri Ushakov disse ao jornal Izvestia que a possível presença de Putin na cúpula do G20 também estava indefinida. "Quanto à possibilidade da viagem de Putin, ainda nem discutimos isso", declarou.
Ushakov observou que os preparativos da Rússia para a cúpula estão progredindo apenas no nível técnico e de especialistas. Zelensky levantou a possibilidade de participar de uma reunião de líderes nos Estados Unidos, caso Putin o convidasse. O presidente ucraniano respondeu "Claro" quando a emissora alemã DW lhe perguntou se participaria, afirmando que é necessário "encontrar, conversar e tomar decisões".
O chefe de Estado fez essas declarações da base aérea canadense em North Bay, onde treinava com pilotos ucranianos.
