Mendonça demorou 9 dias para decidir sobre Wagner, mas 75 no caso de Castro, diz PF | Jovem Pan

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 3 min de leitura
Mendonça demorou 9 dias para decidir sobre Wagner, mas 75 no caso de Castro, diz PF | Jovem Pan

Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) aponta diferença no tempo levado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar medidas envolvendo políticos. Segundo o documento, o magistrado levou nove dias para decidir sobre uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e 75 dias em um caso envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

O caso de Jaques Wagner está relacionado às investigações sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O senador passou a ser alvo da apuração após a PF investigar relações dele e de pessoas próximas com o banco. Wagner nega ter cometido irregularidades e considera que sua relação com Vorcaro era praticamente inexistente.

De acordo com o relatório, a medida envolvendo Wagner foi apresentada em 8 de junho e decidida por Mendonça em 17 de junho, nove dias depois. Já a primeira medida contra Castro foi apresentada em 11 de março e só recebeu decisão em 25 de maio, após 75 dias.

O documento também registra uma segunda medida envolvendo Castro. Apresentada em 30 de maio, ela foi decidida 46 dias depois, em 15 de julho. Nesse caso, a medida foi indeferida, apesar de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PF afirma que os números mostram uma diferença nos prazos e que eles podem indicar relação entre o tempo de análise e o perfil dos investigados. O próprio relatório, porém, classifica essa conclusão como de baixa confiança, porque a amostra é pequena e há fatores que podem influenciar os prazos, como a complexidade dos casos e o período em que os processos ficaram na PGR.

Além de Wagner e Castro, o levantamento cita a operação envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que levou 29 dias para ser analisada.

Presidente Lula (PT)
Presidente Lula (PT)

Investigação contra Mendonça

O relatório da PF foi divulgado em meio ao conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça por causa da condução das investigações sobre o Banco Master. Na quinta-feira (3), Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que Mendonça seja investigado por supostos atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

O pedido foi feito no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que houve quebra da imparcialidade e favorecimento a grupos políticos na atuação de Mendonça nos casos do Master e das fraudes no INSS. Entre os pontos citados estão o suposto direcionamento de investigações contra o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A reação de Moraes ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que reúne mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material cita conversas entre Vorcaro e Moraes e outros contatos com autoridades.

Fachin abriu um procedimento para analisar os questionamentos e deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos.

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