InfoGripe aponta alta de SRAG em quatro estados; rinovírus é destaque

Boletim da Fiocruz mostra queda no cenário nacional, mas Acre, Maranhão, Rio Grande do Sul e Sergipe apresentam aumento de casos até a Semana Epidemiológica 37

O novo Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em 24 de setembro de 2026, mostra que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) permanecem em tendência de queda no longo prazo no Brasil. Na análise de curto prazo, correspondente às três semanas mais recentes, o cenário nacional é de estabilização ou oscilação.

Rinovírus impulsiona casos de SRAG em estados sob alerta, diz InfoGripe
Rinovírus impulsiona casos de SRAG em estados sob alerta, diz InfoGripe

Apesar da tendência geral, Acre, Maranhão, Rio Grande do Sul e Sergipe apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento até a Semana Epidemiológica (SE) 37, referente ao período de 13 a 19 de setembro.

Outras cinco unidades da Federação — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima e Santa Catarina — também apresentam incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

Rinovírus aparece associado ao aumento dos casos

Segundo os pesquisadores do InfoGripe, o aumento da SRAG nos estados que apresentam tendência de crescimento está associado principalmente à circulação do rinovírus, com maior impacto entre crianças e adolescentes.

No Sergipe e no Rio Grande do Sul, o metapneumovírus também aparece associado ao aumento dos casos. No Acre, o boletim identificou ainda um incremento dos casos graves associados à Covid-19. Já no Rio Grande do Sul há sinal de retomada do crescimento da influenza B.

Rio Branco e Porto Alegre estão entre as capitais em alerta

Entre as 27 capitais brasileiras, Rio Branco e Porto Alegre apresentavam, até a Semana Epidemiológica 37, atividade de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco acompanhada de sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

Os casos graves provocados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) seguem em queda ou permanecem estáveis, em níveis baixos, na maior parte do país. Em Roraima, porém, a incidência ainda permanece elevada, apesar da tendência de queda.

Mais de 154 mil casos de SRAG foram notificados em 2026

Desde o início do ano epidemiológico de 2026, o Brasil contabilizou 154.358 notificações de SRAG.

  • 83.260 casos (53,9%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório;
  • 55.256 casos (35,8%) apresentaram resultado negativo;
  • pelo menos 7.101 casos (4,6%) aguardavam resultado laboratorial.

Entre os casos positivos, a distribuição foi de 40,8% para VSR, 31,7% para rinovírus, 16,7% para influenza A, 5,5% para influenza B e 3,8% para Sars-CoV-2.

Rinovírus predominou nas últimas quatro semanas

Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes analisadas pelo boletim, o rinovírus respondeu por 51,6% dos vírus identificados entre os casos positivos. Na sequência aparecem o VSR, com 20,4%; influenza B, com 6,7%; influenza A, com 3,9%; e Sars-CoV-2, com 3,2%.

Crianças pequenas concentram maior incidência

A análise das últimas oito semanas epidemiológicas mostra que a incidência de SRAG permanece mais elevada entre crianças de até 2 anos, principalmente em associação ao VSR e ao rinovírus.

Entre as pessoas com 65 anos ou mais, o maior impacto aparece na mortalidade. Nesse grupo, VSR, rinovírus e influenza A estão entre os vírus associados aos óbitos por SRAG.

6.866 óbitos por SRAG foram registrados em 2026

Em 2026, foram registrados 6.866 óbitos por SRAG. Desses, 3.190 (46,5%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 3.008 (43,8%) apresentaram resultado negativo e pelo menos 113 (1,6%) aguardavam resultado laboratorial.

Entre os óbitos com resultado positivo, a distribuição foi de 35,1% para influenza A, 23% para rinovírus, 16,5% para VSR, 13,8% para Sars-CoV-2 e 9,3% para influenza B.

Fiocruz reforça medidas de prevenção

Para as pessoas que vivem em locais onde há aumento da SRAG, os pesquisadores recomendam manter medidas de prevenção, como cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, higienizar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas respiratórios.

Quem estiver com sintomas de gripe ou resfriado deve, sempre que possível, permanecer em casa. Quando for necessário sair, a orientação é utilizar uma máscara de boa qualidade.

A Fiocruz também reforça a importância de manter a vacinação em dia, de acordo com as recomendações vigentes.

Fonte: Boletim InfoGripe/Fiocruz, atualização referente à Semana Epidemiológica 37, de 13 a 19 de setembro de 2026.

Informações complementares

Palavras-chave:
SRAG, InfoGripe, rinovírus, Fiocruz, saúde pública.
Glossário:
SRAG significa Síndrome Respiratória Aguda Grave.
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