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Financial Times compara os Bolsonaros à família Trump e diz que têm estilo paranoico de política

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 7 min de leitura
Financial Times compara os Bolsonaros à família Trump e diz que têm estilo paranoico de política

A revista de fim de semana do jornal britânico Financial Times publicou uma longa reportagem de capa sobre a família Bolsonaro neste sábado, 26. A notícia também esteve na manchete do site da publicação ao longo do dia.

Conheça os Bolsonaro: um clã tão radical quanto disfuncional. Oscilando entre o conservadorismo e o caos, eles praticam um estilo paranoico de política. Assim como a família Trump, eles incorporam o zeitgeist político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão entre celebridade, rede social e a busca pelo poder”, descreve o material.

Assinado pelo jornalista Michael Pooler, o texto recebe o título "Scandal and succession in the House of Bolsonaro" ("Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro", em tradução livre) e o subtítulo "Jair Bolsonaro está preso por planejar um golpe, deixando seu filho mais velho para disputar contra um antigo rival. Poderia a primeira família da direita radical do Brasil estar no caminho de uma volta por cima?"

Ao longo das páginas, busca apresentar os membros da família, apontando Jair como líder e figura central, Flávio como o "Bolsonaro moderado", Michelle como "a Bolsonaro amável", Carlos como um "craque das redes sociais" e Eduardo como "o filho que mais lembra o pai em estilo", conforme opiniões atribuídas por fontes (identificadas ou não) ouvidas pela revista.

São apresentadas algumas das disputas internas do que chama de "clã", focando na polarização entre a ex-primeira-dama e os filhos, ainda que destacando particularidades de cada um. O Brasil é definido como "uma peça importante na busca de Trump pela dominância do hemisfério" e, por isso, destaca o texto, as eleições de outubro tem importância para o público americano.

Faltando pouco mais de uma semana para a votação, Flávio tem o vento a seu favor. Na campanha, ele visivelmente aumentou sua autoconfiança”, consta no texto. Entre os prognósticos, abre uma série de possibilidades. “Se Flávio ganhar, a Casa dos Bolsonaros será consolidada como uma dinastia política em vez de uma anomalia que só ocorreu uma vez.”
Ele imediatamente vai pressionar o Congresso para garantir uma ampla anistia para os conspiradores do golpe e para os condenados pelo 8 de Janeiro, com o perdão presidencial como alternativa”, continua o texto, indicando que Jair Bolsonaro poderia retornar à corrida presidencial em 2030, “apesar de preocupações com a idade e a saúde fazerem esse prospecto parecer cada vez menos provável.”

Em caso de derrota, o Financial Times aponta "o fim da Era Bolsonaro", o que "abriria as portas para uma direita mais moderada, como Tarcísio de Freitas." Isso, somado ao fato de o PT "não ter um sucessor óbvio de Lula", poderia "marcar o fim de uma década de polarização política" daqui a quatro anos.

A publicação ainda cita Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): "Em uma reviravolta irônica, Moraes, o mesmo juiz que aprisionou Jair, pode involuntariamente providenciar a chave para a sua liberdade".

Vídeo de Michelle sobre Flávio é ponto de partida de texto

Michelle e Flávio Bolsonaro foram centro de reportagem publicada pela revista de fim de semana do
Michelle e Flávio Bolsonaro foram centro de reportagem publicada pela revista de fim de semana do

O ponto de partida do texto é o vídeo postado por Michelle Bolsonaro "expôs uma briga familiar de muito tempo", acusando Flávio Bolsonaro de "humilhá-la em uma disputa interna do partido". "A demonstração pública de hostilidade expôs uma racha no coração da primeira família de políticos de direita, mesmo enquanto estavam planejando seu retorno ao poder."

O Financial Times descreve Jair Bolsonaro como um "demagogo da linha-dura da direita", líder de um movimento conservador populista com tons religiosos, em que seus apoiadores acreditavam estar em uma "cruzada contra um sistema apodrecido." Destaca-o ainda como um presidente marcado "por suas aberturas para Donald Trump e um aumento repentino na destruição da floresta Amazônica, assim como sua má-gestão da pandemia de Covid-19"

Bolsonaro foi considerado culpado de conspirar para permanecer em seu cargo ilegalmente por meio de uma conspiração não realizada que incluía planos para assassinar Lula”, diz a reportagem.
Orbitando o 'rei sol' perdendo o brilho”, o jornal norte-americano cita sua esposa e três de seus filhos. Apresenta Flávio Bolsonaro como “o escolhido para restaurar a sorte da dinastia política”, mesmo “envolvido em suposta fraude”.

Outro filho é um craque das redes sociais que criticou com veemência membros do governo de seu pai. Um terceiro está vivendo um autoexílio nos Estados Unidos e corre risco de prisão caso retorne, consta, sobre Carlos e Eduardo, respectivamente.

Ao abordar a conjuntura do Brasil, o Financial Times também aborda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "um ex-sindicalista que ainda tem grande apoio entre brasileiros pobres que se beneficiam dos aumentos do salário mínimo e dos programas de assistência social introduzidos pelo seu Partido dos Trabalhadores (PT)". Aliados diriam que ele "prioriza os pobres em um país desigual", e os críticos que "condena a 10.ª maior economia do mundo à mediocridade" e seria complacente com gangues de drogas.

Flávio é apontado como alguém que está atrás nas pesquisas desde o início, mas cuja distância reduziu nas mais recentes. Sua base de apoio estaria "entre a classe média e alta e evangélicos", e teria como propostas cortar gastos públicos, ser favorável ao empresariado, diminuir a maioridade penal para os 16 anos e construir novas prisões. Para os críticos, seria "um fantoche de golpista que se curvará ao interesse dos Estados Unidos".

Flávio é o autointitulado moderado da família: um 'Bolsonaro vacinado', em suas próprias palavras”, diz a publicação, que destaca seu desafio “entre seguir o legado de Jair ou o projeto de representar um novo e moderno bolsonarismo”, ainda que “admita ser um substituto inferior ao pai”.

A reportagem o indica como alguém considerado internamente por aliados como um candidato fraco, com líderes empresariais e membros do establishment da centro-direita tendo buscado "alguém sem o sobrenome tóxico", capaz de "apelas ao campo central", como o "governador tecnocrata de São Paulo, outro protegido de Bolsonaro", Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Carlos Bolsonaro, segundo o 'Financial Times'

Flávio (à esquerda) e Eduardo Bolsonaro (à direita) em foto de outubro de 2019.
Flávio (à esquerda) e Eduardo Bolsonaro (à direita) em foto de outubro de 2019.

Carlos Bolsonaro é descrito como alguém "conhecido por sua persona online combativa" que tem "o rosto do pai tatuado no braço", referido pelos familiares como "o pit bull da família", mas que nunca cogitou substituir o pai na política.

Após se divorciar, Jair lançou Carlos, então com 17 anos, para disputar uma vaga na Câmara do Rio em 2000. O adolescente ganhou. Anos depois, Carlos descreveu o incidente como 'um pequeno problema familiar', mas disse que ele e sua mãe fizeram as pazes posteriormente”, consta na reportagem.

Eduardo Bolsonaro, segundo o 'Financial Times'

@flaviobolsonaro via X / Estadão
@flaviobolsonaro via X / Estadão

Para o Financial Times, Eduardo Bolsonaro "é o filho que mais lembra o pai em estilo", um "ideólogo combativo, entusiasta de armas e surfista", que "fala inglês e espanhol tão bem quanto sua língua nativa." Destacam-se as ligações internacionais com a família Trump e outros aliados ideológicos de direita.

Por estar morando no Texas desde 2025, tendo sido expulso do congresso e sob risco de ser preso caso volte ao Brasil, é dado como alguém "fora da equação de sucessão".

Michelle Bolsonaro, segundo o 'Financial Times'

Jair Bolsonaro recebe a faixa de Michel Temer durante a cerimônia de posse presidencial em 2019.
Jair Bolsonaro recebe a faixa de Michel Temer durante a cerimônia de posse presidencial em 2019.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, é descrita como uma "cristã devota" que cuida de Jair, especialmente após a prisão e cirurgias recentes. O Financial Times dá detalhes sobre a forma como se conheceram e casaram. Ao abordar a relação entre ela e os filhos políticos de Jair, traz uma declaração do pastor Silas Malafaia: "Uma madrasta não é parente. "Eles não partilham do mesmo sangue.

Ela ainda é descrita como uma "arma secreta" de Bolsonaro durante o mandato presidencial, tendo focado em causas como doenças raras e a comunidade surda. O repórter relembra a infância humilde "em uma casa pobre e instável" no Distrito Federal, em que Michelle "vendia laranjas no semáforo quando tinha 10 anos e perdeu amigos para o tráfico de drogas".

O jornal aponta uma fonte não identificada para afirmar que a relação de Eduardo e Flávio com Michelle é "fria, mas civilizada", enquanto Carlos não teria mais contato com a madrasta.

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