
A conclusão do ensino superior está associada a um salto expressivo de renda entre os profissionais ouvidos pela 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp. O rendimento médio mensal bruto passou de R$2,7 mil antes da graduação para R$5,8 mil depois do diploma, uma alta de 110%. Ao mesmo tempo, a transição da faculdade para o mercado continua cercada de obstáculos — e a falta de experiência é apontada por 42,8% dos egressos como a principal dificuldade para conseguir uma atividade remunerada.
O levantamento mostra que 82% dos formados exercem alguma atividade. Considerando apenas quem tem atividade remunerada, 77,1% trabalham na própria área de formação e 22,9% atuam em outro campo. A situação, porém, varia bastante conforme o curso e a modalidade de ensino.
Os dados também revelam diferenças importantes na inserção profissional: Medicina lidera entre os cursos com maior proporção de formados trabalhando na própria área, e egressos de graduações presenciais conseguem atuar na profissão com mais frequência do que os de cursos à distância.
Trabalhar no campo de formação e avançar para a pós-graduação aparecem associados a rendimentos mais altos, enquanto as mulheres têm média salarial 42,3% menor que a dos homens na amostra. Diante das dificuldades de entrada no mercado, os participantes defendem mais estágios, atividades práticas e aproximação das instituições de ensino com as empresas.
A pesquisa ouviu 4.106 egressos de 200 instituições e 134 cursos de todo o Brasil, entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026.
Medicina aparece no topo entre as graduações com maior percentual de profissionais empregados na própria área: 95,7%.
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Na sequência, aparecem aparece Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).
No outro extremo, alguns cursos têm parcelas maiores de profissionais trabalhando fora da área de formação. O maior percentual aparece em Gestão de Pessoas/RH, com 42,2%, seguido por Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%), Engenharia de Produção (26,1%), Logística (24,6%) e Biomedicina (24,3%).
Já entre os cursos com maior proporção de egressos sem exercer atividade remunerada no momento da pesquisa, Biomedicina e Marketing aparecem empatados, ambos com 34%. Depois vêm Ciência da Computação (32,5%), Gestão de Pessoas/RH (32,2%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (28%), Logística e Gastronomia (26,3% cada), Nutrição (25,2%), Biologia (24,5%) e Estética e Cosmética (23,3%). Também nesse recorte foram considerados apenas cursos com mais de 20 respostas.
Presencial tem maior proporção de formados trabalhando na área.
A modalidade da graduação também aparece associada a diferenças na inserção profissional.
Entre os egressos com atividade remunerada que fizeram um curso presencial, 81,3% trabalham na área em que se formaram. Entre os que cursaram uma graduação semipresencial, são 75%. No EAD, o índice cai para 58,4%.
Consequentemente, 41,6% dos formados em cursos à distância que têm atividade remunerada trabalham em uma área diferente daquela da graduação, ante 18,7% entre os que fizeram cursos presenciais.
A amostra da pesquisa, no entanto, é fortemente concentrada no ensino privado: 98,5% dos entrevistados fizeram a graduação em instituições particulares, sendo 53,3% com bolsa ou financiamento e 45,2% sem esses recursos.
Além disso, 66% haviam terminado a graduação havia menos de três anos, o que dá ao levantamento uma presença importante de profissionais em fases iniciais da trajetória após o diploma.
Apesar dos indicadores de inserção, os relatos dos entrevistados revelam um problema na passagem entre a universidade e o mercado.
Questionados sobre as dificuldades para exercer uma atividade remunerada após o ensino superior, 42,8% apontaram a falta de experiência na área. Em seguida aparecem salários baixos, citados por 29,6%, e falta de vagas na área de formação, mencionada por 26,2%.
Também foram citadas a adaptação à nova rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e falta de vagas em qualquer área (9,3%). Como era possível selecionar mais de uma alternativa, os percentuais não somam 100%.
A dificuldade ocorre mesmo em uma amostra na qual boa parte dos entrevistados já tinha contato com o mercado antes de receber o diploma. Seis em cada dez (60,6%) já exerciam atividade remunerada durante a graduação, enquanto 18,1% fizeram estágio remunerado ou não remunerado e 21,3% não trabalhavam.
Nas respostas abertas de quem se sentiu pouco ou nada preparado para o mercado, aparecem repetidamente a falta de experiência prática, a insuficiência de estágios e a distância entre a teoria ensinada na graduação e as demandas encontradas no trabalho. Os entrevistados também mencionaram cursos pouco atualizados, falta de oportunidades e necessidade de buscar qualificação complementar depois da faculdade.
Se entrar no mercado ainda representa um desafio, os números da pesquisa indicam uma mudança importante de renda depois da formação.
O rendimento médio bruto dos entrevistados passou de R$2,7 mil antes da conclusão do ensino superior para R$5,8 mil depois, crescimento de 110%. Na edição anterior da pesquisa, realizada em 2024, os valores eram de R$2,4 mil antes e R$4,6 mil depois, uma diferença de 90%.
O estudo faz uma ressalva: o aumento não pode ser atribuído exclusivamente ao diploma, porque também pode refletir experiência profissional, progressão na carreira e mudanças de ocupação.
Entre os profissionais que exercem alguma atividade, a maior concentração está na faixa de R$3 mil a R$5 mil mensais, com 29,1%. Outros 22,5% recebem entre R$5 mil e R$10 mil. Somadas, as faixas de R$2 mil a R$10 mil reúnem 68,2% dos respondentes.
Os resultados também apontam diferenças entre quem conseguiu seguir a profissão escolhida e quem trabalha em outro setor.
Entre os egressos que atuam na área de formação, 55,9% recebem até R$5 mil, 34,3% estão entre R$5 mil e R$15 mil e 9,8% ganham mais de R$15 mil.
Para quem trabalha fora da área em que se formou, 74% recebem até R$5 mil, 22,2% estão entre R$5 mil e R$15 mil e apenas 3,7% superam os R$15 mil.
O estudo ressalta que esses números, isoladamente, não permitem concluir que trabalhar fora da área cause uma renda menor. Eles mostram uma associação entre atuar na profissão de formação e uma presença maior nas faixas salariais mais elevadas.
O nível de escolaridade também está relacionado a diferenças expressivas de remuneração.
Segundo o levantamento, a renda média mensal é de R$4.630 entre quem tem graduação como maior nível de escolaridade. O valor sobe para R$6.684 entre os profissionais com pós-graduação lato sensu, como especialização e MBA, e alcança R$9.262 entre aqueles com pós-graduação stricto sensu, grupo que inclui mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A diferença também aparece na distribuição das faixas salariais. Entre os graduados, 73,2% recebem até R$5 mil. O percentual cai para 49,8% entre quem tem especialização ou MBA e para 26,9% entre aqueles com formação stricto sensu.
A continuidade dos estudos é frequente na amostra. Depois da graduação, 50,6% fizeram cursos on-line, 49,6% cursos livres, 42,1% certificações profissionais e 36,6% especialização. Apenas 15,4% disseram não ter realizado nenhuma formação adicional. Como a pergunta permitia mais de uma resposta, um mesmo participante podia aparecer em diferentes categorias.
Mulheres têm rendimento médio 42,3% menor que o dos homens na amostra.
A pesquisa também encontrou uma diferença relevante de remuneração por gênero entre os participantes com atividade remunerada.
A média salarial das mulheres é de R$4.913, contra R$6.992 entre os homens. De acordo com o estudo, isso significa que a média masculina é 42,3% superior à feminina — ou cerca de 1,4 vez o rendimento das mulheres.
As diferenças aparecem também nas faixas de renda: 70% das mulheres recebem até R$5 mil, contra 46,9% dos homens. Na faixa superior a R$15 mil, estão 4,8% delas e 12,4% deles. A análise não incluiu respondentes de outros gêneros devido ao tamanho insuficiente da amostra.
O levantamento também registra diferença na satisfação com a trajetória profissional: 65,8% das mulheres se declararam satisfeitas ou muito satisfeitas, ante 74,3% dos homens.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a distância entre a velocidade das mudanças tecnológicas no mercado e a preparação recebida durante o ensino superior.
Quase metade dos entrevistados — 49,4% — afirma que a inteligência artificial aumentou sua produtividade ou transformou significativamente suas atividades. Separadamente, 29,9% dizem que a tecnologia aumentou a produtividade e 19,5% afirmam que ela mudou de maneira significativa o que fazem. Outros 20,6% dizem que a IA exigiu novas competências.
Apesar disso, somente 27,8% avaliam que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e inteligência artificial. Apenas 7,1% se consideram plenamente preparados e 20,7%, parcialmente preparados. Outros 26,5% dizem ter recebido pouca preparação e 45,7%, nenhuma.
Nas considerações finais, o levantamento aponta justamente as competências relacionadas à IA entre as principais lacunas identificadas, ao lado de visão de negócios, empreendedorismo, liderança, comunicação e inteligência emocional.
Ao serem questionados sobre como as instituições poderiam ajudá-los mais na busca por emprego, os participantes concentraram as respostas em uma maior conexão entre universidade e mercado.
Entre as sugestões estão ampliar parcerias com empresas, criar programas de primeiro emprego, aumentar a oferta de estágios — especialmente remunerados —, divulgar vagas, oferecer orientação de carreira e preparar estudantes para currículos e entrevistas.
Os egressos também defendem mais atividades práticas, projetos reais e vivências profissionais durante a graduação, além de atualização dos currículos diante das mudanças do mercado. O uso prático de novas tecnologias e inteligência artificial aparece entre as demandas, assim como acompanhamento dos alunos mesmo depois da formatura e preparação para empreendedorismo e trabalho autônomo.
No balanço final, a própria pesquisa resume o cenário em duas frentes: o diploma permanece associado à mobilidade profissional e econômica, mas, sozinho, não encerra a formação nem elimina as barreiras de entrada no mercado. Experiência, competências digitais e atualização contínua ganham peso na trajetória dos profissionais.
O levantamento ressalta que não tem pretensões acadêmicas ou científicas. Entre os objetivos estão acompanhar inserção profissional, renda, satisfação com a carreira, desenvolvimento de competências e os impactos da formação superior.
