
Em teoria, desenvolver uma espaçonave que voe até. Marte, entre em órbita ao redor do planeta vermelho e retransmita sinais para grandes antenas parabólicas na Terra é uma proposta relativamente simples.
A aquisição pela NASA de uma espaçonave da "Rede de Telecomunicações de Marte", no entanto, acabou se tornando um dos dramas mais fascinantes do ano para a agência espacial americana.
A agência finalmente chegou a uma decisão no início deste mês, selecionando a Blue Origin para desenvolver, lançar e operar uma espaçonave de $700 milhões em Marte. No entanto, a principal concorrente na disputa, a Rocket Lab, não ficou nada satisfeita. Na sexta-feira, a empresa entrou com um protesto contra a decisão da NASA junto ao Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA.
A decisão da NASA de conceder o projeto parece ser inconsistente com os critérios de elegibilidade exigidos pelo Congresso”, disse a empresa na X. “Além disso, a análise punitiva da agência sobre o volume técnico da Rocket Lab foi inconsistente, fazendo afirmações e conclusões incorretas.”
Uma grande e bela espaçonave
O anúncio do protesto da Rocket Lab faz referência aos "critérios de elegibilidade exigidos pelo Congresso", e este parece ser o cerne da questão.
A origem da espaçonave da Rede de Telecomunicações de Marte surgiu como parte do pacote de financiamento suplementar para a NASA, fornecido pelo projeto de lei "One Big Beautiful Bill", aprovado pelo Congresso dos EUA em 2025. Não era algo amplamente esperado pela comunidade espacial, mas o novo começo foi bem-vindo, visto que as espaçonaves da NASA em órbita de Marte estão envelhecendo.
Essa legislação específica da NASA, liderada pelo senador Ted Cruz (republicano do Texas), incluía uma redação curiosa. Ela especificava que o orbitador de Marte deveria ser selecionado dentre empresas americanas que "receberam financiamento do governo no ano fiscal de 2024 ou 2025 para estudos de projeto comercial para o Retorno de Amostras de Marte; e que propuseram um orbitador de telecomunicações de Marte separado e lançado independentemente, que apoiasse uma missão completa de retorno de amostras de Marte".
A referência a "estudos de projeto comercial" dizia respeito às empresas que propuseram missões mais rápidas e acessíveis para trazer amostras de Marte, selecionadas para 2024 e 2025. A Rocket Lab é uma das várias empresas elegíveis para competir com base nesse requisito de estudo de projeto comercial. As demais empresas são Blue Origin, L3Harris, Lockheed Martin, Northrop Grumman, SpaceX, Quantum Space e Whittinghill Aerospace.
