Dois homens escaparam da prisão após a morte de Raphael Graven, francês de 46 anos conhecido como “Jean Pormanove”, que foi submetido a dez dias de tortura e humilhação ao vivo pela plataforma Kick. O caso gerou revolta em toda a França e trouxe à tona o lado mais sombrio da chamada “Trash Streaming”, onde criadores de conteúdo exibem abusos extremos para atrair espectadores.
Violência transmitida ao vivo
Durante a transmissão, Pormanove foi espancado, chutado, chicoteado e atingido com um taco de beisebol em sua residência, na cidade de Contes. Os agressores também o submergiram em água, o insultaram e dispararam bolinhas de paintball contra seu corpo. A câmera capturou o momento em que o “streamer de lixo” deu seu último suspiro, após mais de 200 horas de sofrimento. Milhares de telespectadores, inclusive crianças, assistiam ao drama e, ao perceberem a ausência de sinais vitais, alertaram as autoridades. Em resposta, Hamadi e Cenazandotti jogaram água no rosto da vítima na tentativa de reanimá‑lo, mas o esforço foi em vão.
Julgamento e consequências
Em 5 de agosto, o tribunal criminal de Nice considerou Safine Hamadi e Owen Cenazandotti culpados de incitação à violência e ao ódio. Apesar da condenação, a dupla recebeu penas suspensas e conseguiu evitar o cumprimento de tempo atrás das grades. A decisão provocou indignação entre os defensores dos direitos humanos, que cobram medidas mais rigorosas para coibir a difusão de conteúdo violento na internet. O caso permanece como um alerta sobre os limites da liberdade de expressão nas plataformas de streaming e a necessidade de fiscalização mais efetiva por parte das autoridades.
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