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Maceió AL - -

Surto de coqueluche em Arapiraca tem três casos confirmados e 33 contatos monitorados

Vigilância epidemiológica de Arapiraca rastreia contatos em surto de coqueluche

A Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca emitiu o Alerta Epidemiológico nº 04 comunicando a identificação de um surto de coqueluche em fase de investigação no município. A notificação foi formalizada em 20 de agosto de 2026, após o Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (LACEN/AL) confirmar três pacientes com vínculo epidemiológico entre si.

O caso que deu início ao rastreamento é de um homem de 40 anos, sem comorbidades. Em 13 de julho, ele apresentou um quadro gripal associado à tosse. Durante atendimento ambulatorial no dia 28 do mesmo mês, já registrava tosse mista, dispneia e dor torácica. Em 30 de julho, um teste rápido em farmácia detectou o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). No entanto, em 10 de agosto houve agravamento, com acessos de tosse de aspecto coqueluchoide. Dois dias depois, em nova avaliação médica, o paciente apresentava tosse convulsa, hipoxemia e episódios de síncope, o que exigiu sua internação. Diante da suspeita clínica, foram coletadas amostras e, em 16 de agosto, o LACEN/AL confirmou a infecção por Bordetella pertussis.

Após confirmação de surto, Arapiraca amplia vigilância e exige notificação em 24 horas
Após confirmação de surto, Arapiraca amplia vigilância e exige notificação em 24 horas



A partir da confirmação, a vigilância epidemiológica rastreou 22 pessoas que tiveram contato próximo com o primeiro infectado. Seis delas apresentavam tosse no momento da investigação e, em 18 de agosto, foram colhidas amostras clínicas. No dia seguinte, o laboratório confirmou mais dois diagnósticos. O segundo paciente é um homem de 35 anos, colega de trabalho do caso inicial, sem comorbidades, que teve início de tosse em 15 de agosto após exposição no dia 10 — intervalo compatível com o período de incubação da doença. A terceira paciente é uma mulher de 38 anos, esposa do caso índice e contato domiciliar, também sem doenças preexistentes.

Com a ampliação da investigação, nove contatos adicionais ligados ao núcleo familiar e dois vinculados ao ambiente laboral foram incluídos na vigilância, totalizando 33 pessoas em monitoramento epidemiológico. Dessa forma, o evento é tratado como surto de coqueluche de origem domiciliar e ocupacional. O primeiro paciente já concluiu o tratamento, manteve evolução clínica estável e recebeu alta hospitalar em 19 de agosto. Os outros dois pacientes seguem estáveis, em isolamento domiciliar e com tratamento prescrito.

A coqueluche, também conhecida como tosse convulsa, é uma infecção aguda do trato respiratório, altamente transmissível, causada pela bactéria Bordetella pertussis. A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, em contato próximo com a pessoa infectada. O período de incubação costuma ser de cinco a dez dias, podendo variar de quatro a 21 dias e, excepcionalmente, alcançar 42 dias.

A definição de caso suspeito varia conforme a faixa etária. Em menores de seis meses, deve-se investigar quando há tosse de qualquer tipo há pelo menos dez dias, acompanhada de tosse paroxística, guincho inspiratório, vômitos após a tosse, cianose, apneia ou engasgo. A partir dos seis meses, a suspeita se aplica a quem apresenta tosse há 14 dias ou mais, associada a tosse paroxística, guincho inspiratório ou vômitos pós-tosse. Também deve ser considerado suspeito todo indivíduo com tosse que tenha histórico de contato próximo com caso confirmado laboratorialmente.

Diante do cenário, a Secretaria desenvolveu uma série de ações: notificação e investigação epidemiológica dos casos; levantamento clínico e identificação de vínculos epidemiológicos; monitoramento dos contatos; busca ativa de sintomáticos; articulação com o LACEN/AL; avaliação de contatos elegíveis para quimioprofilaxia pós-exposição; orientações sobre isolamento e prevenção; visitas aos serviços de saúde e aos locais de trabalho; reforço na avaliação da situação vacinal; e articulação com a Secretaria de Estado da Saúde e com a Rede de Atenção à Saúde.

A vigilância ressalta que todo caso suspeito deve ser comunicado em até 24 horas ao CIEVS Arapiraca pelos canais: telefone (82) 99948-9853, e-mail cievsarapiraca@gmail.com ou mediante preenchimento do formulário de notificação de agravos.

Para os profissionais de saúde, as recomendações incluem manter alta suspeição diante de tosse persistente ou paroxística, notificar imediatamente os casos, avaliar a indicação de internação, rastrear contatos próximos, reforçar precauções por gotículas nos serviços de saúde e verificar a situação vacinal em todas as oportunidades. A imunização de gestantes com a vacina dTpa em cada gestação é destacada como fundamental para a proteção dos lactentes, grupo de maior risco para complicações e formas graves da doença.

O alerta foi assinado pela secretária municipal de Saúde, Rafaella Souza Albuquerque; pelo superintendente de Vigilância em Saúde e Ponto Focal CIEVS, Evandro da Silva Melo Junior; pela diretora de Vigilância Epidemiológica, Ruana Silva de Paula; pela coordenadora de Doenças Imunopreveníveis do PNI, Mônica Suzy Rocha Barbosa; e pelas servidoras do CIEVS Mariana Alves Lima da Costa e Laura Maria Sá de Assis.
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