Sudão
O pontífice Leão XIV reiterou a necessidade de criar corredores humanitários no Sudão e conclamou o fim dos ataques contra civis. Expressando “proximidade espiritual ao povo sudanês”, pediu que “o Senhor sustente aqueles que sofrem, converta os corações daqueles que semeiam a violência e conceda a paz tão esperada”.
As FAR intensificaram ataques de drones contra centrais elétricas e pontos de distribuição de água. O Gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou que a cidade corre risco de repetir o que ocorreu no ano passado em El Fasher, em Darfur, onde o avanço das FAR provocou assassinatos em massa de civis documentados por organizações internacionais. Organizações humanitárias relataram surto de cólera e aumento de casos de violência sexual contra mulheres e meninas na área sitiada. A guerra sudanesa, que eclodiu em abril de 2023 após a ruptura entre o Exército e as FAR – antigos aliados no golpe que derrubou o regime civil de transição – tornou‑se a maior crise humanitária do mundo, com mais de 14 milhões de deslocados, segundo as Nações Unidas.
Ucrânia
Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, Leão XIV ressaltou que continuam chegando notícias dolorosas de civis inocentes mortos e feridos. Alertou que “estão acontecendo episódios trágicos, que se multiplicam, causando cada vez mais vítimas civis, incluindo crianças”. Renovou “um apelo sincero para que o direito humanitário seja respeitado e que os ataques que afetam alvos civis cessem em ambos os lados”. O apelo surge enquanto as negociações de paz entre Moscou e Kiev permanecem suspensas desde fevereiro, e a Rússia intensifica sua campanha contra a rede elétrica ucraniana e áreas residenciais.
Segundo a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU, entre janeiro e junho de 2026, pelo menos 1.396 civis ucranianos foram mortos e outros 7.978 ficaram feridos, 37 % mais do que no mesmo semestre do ano anterior. “A guerra só gera outra guerra”, declarou o Papa, pedindo “parar a espiral de violência e dar espaço à diplomacia e ao diálogo para abrir o caminho para a paz”.
A frase resume a linha diplomática mantida desde a eleição pontifícia: reivindicações humanitárias recorrentes sem assumir papel de mediador formal, ao contrário dos esforços específicos da Santa Sé em conflitos anteriores. Leão XIV aproveitou o Angelus para saudar os grupos de jovens presentes na praça, convidando‑os a conhecer melhor os santos comemorados nos dias atuais, entre eles Teresa Benedita da Cruz – nome religioso de Edith Stein, carmelita assassinada em Auschwitz – e Santa Clara de Assis.
Nem o Vaticano nem as organizações da ONU anunciaram esforços concretos de mediação no Sudão, onde a falta de uma potência capaz de exercer pressão efetiva sobre as FAR mantém bloqueada qualquer solução negociada, enquanto a cidade sitiada se aproxima do risco de catástrofe humanitária descrito pelas Nações Unidas.
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