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O ex-ministro da Defesa da Ucrânia pediu eleições presidenciais apesar da guerra com a Rússia e desafiou Zelensky.

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 4 min de leitura
FILE PHOTO: Ukraine's Minister of Defence Mykhailo Fedorov speaks at a joint press conference with his Swedish counterpart Pal Jonson (not pictured), as Swedish defence equipment maker Saab signs a contract to deliver Gripen E fighter aircraft to Ukraine, amid Russia's attack on Ukraine, in Kyiv, Ukraine, July 1, 2026. REUTERS/Alina Smutko/File Photo
FILE PHOTO: Ukraine's Minister of Defence Mykhailo Fedorov speaks at a joint press conference with his Swedish counterpart Pal Jonson (not pictured), as Swedish defence equipment maker Saab signs a contract to deliver Gripen E fighter aircraft to Ukraine, amid Russia's attack on Ukraine, in Kyiv, Ukraine, July 1, 2026. REUTERS/Alina Smutko/File Photo

O ex-ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, pediu avanços rumo à realização de eleições presidenciais durante a guerra com a Rússia e exigiu um mecanismo para restaurar o processo democrático, apesar da lei marcial, marcando seu desafio político mais direto ao presidente Volodymyr Zelensky desde o início da invasão em grande escala, em fevereiro de 2022. “A democracia não pode ser feita refém da Rússia. Estamos lutando justamente porque queremos continuar sendo um Estado europeu livre”, declarou Fedorov em um vídeo de nove minutos divulgado online na noite de terça-feira. O ex-ministro argumentou que a Ucrânia precisa encontrar um mecanismo “legal, seguro e realista” para “restaurar um processo democrático pleno, mesmo em meio a uma guerra prolongada”.

Fedorov reconheceu as dificuldades envolvidas na organização de eleições durante o conflito, incluindo garantir que soldados, cidadãos que vivem perto da linha de frente e os milhões de ucranianos no exterior possam exercer seu direito de voto. “Isso é complexo… Mas complexidade não significa impossibilidade”, disse ele. A Ucrânia está sob lei marcial desde o início da invasão russa, uma medida que impede a realização de eleições. O mandato de cinco anos de Zelensky terminou em maio de 2024, mas as eleições não foram realizadas devido à guerra em curso. Fedorov não mencionou Zelensky diretamente em seu discurso, embora tenha questionado o funcionamento das instituições estatais e pedido maior transparência na tomada de decisões. “As pessoas não podem viver indefinidamente em um Estado onde não entendem por que certas decisões são tomadas.

Por que algumas reformas avançam enquanto outras são bloqueadas”, afirmou. Ele também questionou se a lealdade pessoal poderia se tornar um fator determinante nas nomeações dentro do Estado. “É particularmente perigoso quando a sociedade desenvolve a sensação de que o principal critério para uma nomeação não é o profissionalismo, os resultados ou a capacidade de transformar o país, mas a lealdade pessoal ao sistema”, argumentou. Fedorov, de 35 anos, atuou como Ministro da Transformação Digital de 2019 até janeiro deste ano e, em seguida, tornou-se Ministro da Defesa. Durante seu breve mandato como ministro da Defesa, ele liderou reformas nas Forças Armadas em meio a alegações de corrupção, falta de equipamentos, absenteísmo, questionamentos sobre o tratamento de recrutas e resistência à campanha de mobilização.

Zelensky demitiu Fedorov em julho, uma medida que provocou protestos nas ruas de Kiev e aumentou a pressão política sobre o governo. Pouco depois, o presidente também substituiu o chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrsky, considerado um rival de Fedorov. O ex-ministro não apresentou nenhum plano político concreto em seu discurso, nem confirmou uma possível candidatura à presidência. Em ocasiões anteriores, Fedorov havia declarado que só retornaria ao governo se voltasse a ocupar o Ministério da Defesa. Enquanto isso, o presidente ucraniano nomeou oficialmente Yevhen Khmara, que atuava como ministro da Defesa interino, para assumir o cargo em definitivo na terça-feira. A nomeação precisa ser aprovada pelo Parlamento, que deve votar a indicação nesta quarta-feira. A proposta de realizar eleições durante a guerra também enfrenta questionamentos sobre as condições de segurança.

O analista político ucraniano Artem Bronzhukov apontou que ainda não há uma solução clara para garantir a segurança dos eleitores diante de ataques russos. “Atualmente, não há um entendimento claro de como garantir a segurança das pessoas no contexto de uma guerra em larga escala”, afirmou ele. Bronzhukov também observou que existe uma opinião generalizada na sociedade ucraniana de que as eleições são necessárias, mas que devem ser realizadas após o término da fase mais intensa da guerra. O calendário eleitoral também deve levar em consideração a situação de milhões de ucranianos deslocados para o exterior e os mais de um milhão de membros das forças armadas, muitos dos quais estão mobilizados na linha de frente. Além disso, quase um quinto do território ucraniano permanece sob ocupação russa. Os protestos em apoio a Fedorov continuaram em Kiev após sua demissão.

De acordo com seu ex-conselheiro e um de seus principais apoiadores políticos, Sergiy Sternenko, uma nova manifestação foi convocada para a manhã de quarta-feira em frente ao Parlamento. Um comício realizado na noite de domingo reuniu aproximadamente 2.000 pessoas, segundo relatos da mídia local, que entoaram slogans em apoio ao ex-ministro. Pesquisas realizadas no início de agosto colocaram Fedorov em terceiro lugar em um possível primeiro turno da eleição presidencial, com 13,1% de apoio, atrás de Zelensky, com 22,3%, e do ex-chefe das Forças Armadas e atual embaixador da Ucrânia no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi, com 21,4%. A mesma pesquisa, conduzida pelo Centro de Pesquisa Social Socis, indicou que Zelensky perderia um possível segundo turno tanto para Fedorov quanto para Zaluzhnyi. (Com informações da AFP)

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