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Campinas e Araras registram óbitos por febre maculosa e reforçam alerta à população

Febre maculosa: como reconhecer os sintomas e se proteger do carrapato-estrela

A febre maculosa é uma doença infecciosa grave, transmitida pela picada de carrapatos contaminados. Como a evolução pode ser acelerada, reconhecer os primeiros sinais e buscar atendimento médico de imediato são passos decisivos para a sobrevivência.

O contato com o parasito é mais provável em locais como matas, pastos, margens de rios, pesqueiros e quaisquer áreas com vegetação densa. Entre os sintomas mais frequentes estão febre de início repentino, dor de cabeça intensa, dores no corpo, mal-estar, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele. Se você esteve em algum ambiente de risco e passou a sentir esses incômodos, dirija-se a uma unidade de saúde o quanto antes e avise que pode ter tido contato com carrapatos.

Campinas e Araras registram óbitos por febre maculosa e reforçam alerta à população
Campinas e Araras registram óbitos por febre maculosa e reforçam alerta à população



Se encontrar um carrapato fixado à pele, não se desespere. Com uma pinça, segure-o bem próximo à superfície da pele e puxe com firmeza, sem esmagá-lo ou torcê-lo. Depois da retirada, lave bem a região com água e sabão. Fique atento nos dias seguintes: caso apareçam sintomas, procure um profissional de saúde e relate a exposição ao parasito.

É importante esclarecer que a febre maculosa não se transmite de uma pessoa para outra. Animais como capivaras, cães e cavalos também não passam a doença diretamente ao ser humano. O risco real está no carrapato infectado.

Para quem precisa frequentar áreas susceptíveis à presença do parasito, algumas atitudes reduzem o perigo: prefira roupas claras, que facilitam a visualização do carrapato; use calças compridas e enfie as barras dentro das meias; calce sapatos fechados; evite caminhar por vegetação alta; ao retornar para casa, faça uma vistoria no corpo, nas roupas e nos calçados; lembre-se de inspecionar também crianças e animais que tenham ido ao local.

Compartilhar essas orientações amplia a rede de proteção. Quanto mais pessoas souberem como prevenir e quais sintomas observar, maiores as chances de tratamento bem-sucedido no momento adequado.

Em Araras, as equipes da Atenção Primária à Saúde e da Secretaria Municipal da Saúde têm intensificado campanhas de conscientização. Unidades dos bairros Jardim Morumbi, Jardim Aeroporto, Vila Dona Rosa e da zona rural recebem ações como rodas de conversa, palestras e distribuição de material educativo sobre formas de contágio, sinais clínicos e medidas preventivas. A meta é alertar a população sobre os perigos de ambientes arborizados, propícios à proliferação do vetor. “No enfrentamento da febre maculosa, identificar a doença precocemente e procurar atendimento imediato é fundamental”, afirmou o secretário da Saúde, Romildo Benedito Borelli. Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e muscular, além de inchaço ou vermelhidão nas palmas das mãos e na sola dos pés. Informar à equipe médica que esteve em local de possível contaminação é essencial para o início correto do tratamento. Áreas de mata, trilhas, locais úmidos e espaços com folhas secas e gravetos representam os maiores riscos. Quando for inevitável frequentá-los, recomenda-se o uso de botas, calças e camisas de manga comprida em cores claras.

O cenário do município é alarmante: em 2026, foram confirmados três óbitos pela doença — duas crianças de oito e nove anos e uma mulher de 52 anos —, o maior número de mortes desde 2020. Diante disso, as equipes de Zoonoses e da Vigilância Epidemiológica realizam levantamentos para mapear os locais visitados pelas vítimas e definir a necessidade de avaliações acarológicas, procedimento técnico que monitora e controla infestações de carrapatos. Desde o início do ano, a Prefeitura mantém ritmo intenso de ações: em fevereiro, servidores da rede pública receberam capacitação específica, e a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) do Governo do Estado de São Paulo executou avaliação acarológica em diferentes regiões. Paralelamente, uma força-tarefa articulou roçagem e pulverização de mato alto, promovida pelos Serviços Públicos; apreensão de animais soltos e de grande porte, feita pelo Meio Ambiente; autuação e notificação de terrenos abandonados com mato, pela Fiscalização Urbana; instalação de placas de alerta pela Saúde; e rondas reforçadas pela Guarda Civil Municipal (GCM).

Campinas vive realidade semelhante. A cidade registrou a segunda morte por febre maculosa em 2026, em um homem de 29 anos. O provável local de infecção é um pesqueiro situado em município vizinho, onde esteve no dia 17 de junho. Os primeiros sintomas surgiram no dia 21, e o óbito ocorreu em 26 de junho, em hospital da cidade onde fica o pesqueiro. Por conta disso, a Vigilância em Saúde de Campinas vai realizar orientações em pesqueiros próximos aos limites territoriais da cidade onde aconteceu o falecimento. O primeiro óbito do ano na cidade foi registrado em 21 de abril, um homem de 74 anos que trabalhava com jardinagem na Região Noroeste, próximo a áreas verdes e cursos d’água. Em 2025, Campinas teve seis casos da doença, todos fatais.

A febre maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e apresenta elevada letalidade. A transmissão acontece exclusivamente pela picada do carrapato-estrela infectado. A capivara é um dos principais hospedeiros desse vetor. Por suas características geográficas, a região de Campinas é considerada endêmica para a doença. Até novembro, o município permanece no período de maior risco de transmissão, uma vez que predominam as fases mais jovens do carrapato-estrela, menos exigentes na escolha do hospedeiro.

Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde reforça os cuidados preventivos e a atenção aos sintomas. Febre, dor de cabeça, dor intensa no corpo, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos devem ser interpretados como alertas. A bióloga Heloísa Malavasi, da pasta municipal, deixa claro: quem sentir febre após visitar áreas verdes não deve esperar novos sintomas para procurar ajuda. “A doença costuma evoluir rapidamente. O primeiro, o segundo e o terceiro dias, a partir do início dos sintomas, são a janela ideal para tratar a febre maculosa. Após esse período, mesmo com medicação, há risco de óbito ou sequelas graves”, alertou.

No Brasil, o período de incubação, contado desde a picada até o aparecimento dos primeiros sinais, varia de dois a quatorze dias. Ao buscar atendimento, o paciente deve levar o carrapato, se for possível, para auxiliar no diagnóstico. O carrapato-estrela é a espécie mais comum na região de Campinas e ocorre naturalmente em gramados e matas, especialmente nas proximidades de rios, lagos e lagoas. Se estiver infectado, atua como transmissor da bactéria. A orientação é evitar essas áreas; quando isso não for possível, qualquer febre subsequente deve ser associada à exposição e comunicada imediatamente à equipe médica.
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