Ainda não foi esclarecido: o apagão do HGE expõe falhas que precisam de respostas
O apagão que deixou o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, sem energia elétrica por cerca de 12 horas continua cercado de perguntas que precisam de respostas claras. Em um hospital de referência para urgência e emergência, uma interrupção prolongada de energia não pode ser tratada como um problema comum de infraestrutura.
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque dados do Portal da Transparência apontam que o Governo de Alagoas desembolsou mais de R$ 9,2 milhões, desde 2022, em contratos relacionados à locação de geradores para unidades da rede estadual, incluindo o HGE.
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| O HGE precisa mudar: quando a energia falha, o risco chega ao paciente |
A pergunta é inevitável: se existem geradores contratados para garantir a continuidade do fornecimento de energia, por que eles não impediram que o HGE permanecesse no escuro durante tantas horas?
O problema não é apenas a falta de luz. Em uma unidade hospitalar de alta complexidade, a energia elétrica está diretamente relacionada ao funcionamento de equipamentos essenciais, sistemas de monitoramento, aparelhos utilizados em procedimentos e estruturas indispensáveis ao atendimento de pacientes graves.
Durante o apagão, foram relatados calor, escuridão e interrupção ou adiamento de procedimentos e exames. O caso chegou ao Senado, onde foi relatado que o hospital permaneceu aproximadamente 12 horas sem energia e que a situação afetou setores essenciais da unidade.
E é justamente por isso que a população merece uma explicação técnica, transparente e completa.
Não basta apontar responsabilidades de um lado para o outro. É preciso esclarecer o que provocou a interrupção, por que o sistema de emergência não funcionou como esperado, quais equipamentos estavam disponíveis, se estavam em funcionamento e manutenção adequados e quais medidas foram adotadas para impedir que uma situação semelhante volte a acontecer.
Até porque não estamos falando de um prédio administrativo. Estamos falando de um hospital onde pacientes dependem de equipamentos e de uma estrutura que precisa funcionar continuamente.
Chega de transformar problemas graves em episódios passageiros.
A saúde pública exige planejamento, manutenção, fiscalização e responsabilidade. Quando milhões de reais são destinados à contratação de equipamentos que deveriam garantir segurança energética, a sociedade tem o direito de saber se o serviço contratado está sendo efetivamente entregue.
O HGE precisa mudar. E mudar não significa apenas anunciar obras ou apresentar números. Significa garantir que aquilo que deveria funcionar funcione quando o paciente mais precisa.
A população alagoana não pode continuar recebendo silêncio quando deveria receber respostas.
Ainda não foi esclarecido. E precisa ser.
