Senadora pede intervenção federal na saúde de Alagoas e denuncia 'caixa-preta' na gestão estadual
Dra. Eudócia (PSDB-AL) relata apagão de 12 horas no Hospital Geral do Estado, morte de paciente e paralisação de UPA; ela cobra investigação sobre contratos, repasses e possíveis desvios de recursos do SUS
Por Redação
10/07/2026 | Atualizado às 03h30
Brasília — Em um duro pronunciamento no Plenário do Senado Federal na quarta-feira (8), a senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) pediu a intervenção federal na saúde pública de Alagoas e o envio de uma força-tarefa para investigar contratos, repasses e gastos da administração estadual. Segundo a parlamentar, a população alagoana vive uma crise sem precedentes no sistema de saúde, marcada por problemas estruturais, denúncias de corrupção e má gestão que comprometem diretamente o atendimento aos cidadãos.
A senadora detalhou episódios recentes que, na sua avaliação, escancaram o colapso da rede estadual. Entre eles, um "apagão" de cerca de 12 horas no Hospital Geral do Estado (HGE), o maior hospital público de Alagoas. De acordo com Eudócia, a falha provocou o adiamento de procedimentos médicos e contribuiu para a morte de uma paciente. Outro caso mencionado foi a paralisação dos atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jaraguá, causada por uma falha no sistema de internet.
— A saúde de Alagoas precisa de intervenção federal, intervenção nas contas, intervenção nos contratos, intervenção na administração, intervenção na forma como cada real da saúde pública está sendo arrecadado, empenhado, liquidado e pago. É preciso abrir a caixa-preta da saúde estadual. É preciso passar um pente-fino nos contratos, nos repasses, nas folhas de pagamento, nos plantões, nas terceirizações, nas dívidas e nos convênios — afirmou a senadora, em discurso no Plenário.
Dra. Eudócia argumentou que os problemas vão além das questões estruturais e apontam para possíveis irregularidades na gestão dos recursos. A parlamentar mencionou a Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga supostos desvios de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Para ela, a operação reforça a necessidade de uma resposta imediata e rigorosa das autoridades competentes.
Além dos desvios investigados pela PF e pela CGU, a senadora questionou contratos milionários, atrasos crônicos no pagamento a fornecedores e a destinação de repasses financeiros aos municípios. Ela defendeu que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam identificados e punidos, e que os serviços de saúde sejam restabelecidos com urgência para a população.
— Não se trata apenas de falta de recursos, mas de como esses recursos estão sendo geridos. A população de Alagoas não aguenta mais ver o dinheiro público desviado enquanto hospitais ficam no escuro e UPAs param de atender por falha de internet — completou.
O pedido de intervenção federal na saúde de um estado é um instrumento excepcional e depende de avaliação do governo federal e do Congresso Nacional. Caso acatado, pode resultar na nomeação de um gestor federal para administrar temporariamente a área, até que seja restabelecida a normalidade administrativa e assistencial.
Fonte: Agência Senado
