O Irã executou dois homens condenados por sua participação nas protestas antigovernamentais de janeiro, informou a agência judicial Mizan. Abolfazl Sepahi Badjani, de 23 anos, e Amirhossein Safari Hosseinabadi, de 28, foram enforcados em público no distrito de Malekshahr, em Isfahán, perto da praça Alikhani, onde meses antes ocorreram os fatos que motivaram sua condenação.
Execuções em Isfahán
As autoridades judiciais os acusaram de terem participado na morte de quatro membros das forças de segurança durante os protestos de 8 de janeiro naquela praça. Segundo a Mizan, ambos faziam parte de um grupo de doze homens sentenciados à morte em um único julgamento, realizado em sessão secreta, pelo chamado caso da praça Alikhani. Com essas duas execuções, o total de condenados ajusticiados nessa causa chega a quatro.
Os outros dois, Erfan Esfandiari e Gol Mohammad Mohammadi, haviam sido executados em 19 de julho. Dez dos doze condenados originais permanecem em risco iminente de execução, segundo especialistas das Nações Unidas.
Contexto de Repressão e Conflito
Horas antes das execuções desta terça-feira, um grupo de relatores da ONU liderado por Mai Sato, relatora especial sobre a situação dos direitos humanos no Irã, havia pedido às autoridades iranianas que suspendessem as condenas pendentes. Os especialistas destacaram que os doze acusados foram sentenciados à morte em uma única audiência judicial, sem que ficasse estabelecida a responsabilidade individual de cada um, o que classificaram como violação das garantias mínimas de um julgamento justo.
As protestas de janeiro eclodiram em 8 de janeiro em Isfahán e se espalharam rapidamente por outras cidades do país, em meio a uma queda no valor da moeda nacional que agravou uma crise econômica já prolongada. Segundo números oficiais citados por Teerã, 3.117 pessoas morreram durante as manifestações, que as forças de segurança reprimiram na que se considera a maior campanha repressiva da história da República Islâmica. Organizações de direitos humanos sustentam que mais de sete mil pessoas foram assassinadas pelas forças do regime durante essas semanas.
A repressão judicial se intensificou após os Estados Unidos e Israel lançarem, em 28 de fevereiro, uma ofensiva militar contra o Irã com cerca de 900 ataques em doze horas dirigidos contra infraestrutura militar, defesas antiaéreas e a liderança do país. O primeiro bombardeio matou o líder supremo, o aiatolá Alí Khamenei, que governava desde 1989, e outros altos funcionários. Seu filho, Mojtaba Khamenei, o sucedeu à frente do regime. O Irã respondeu com uma onda de mísseis e drones contra Israel e contra instalações estadunidenses na região, em um conflito que se prolonga desde então e que Teerã considera existencial para a continuidade do regime.
Nesse contexto de guerra, as autoridades iranianas advertiram repetidamente contra qualquer retomada dos protestos, ao mesmo tempo em que proclamam uma suposta unidade nacional em torno da República Islâmica. A Human Rights Watch documentou nesta semana pelo menos 50 execuções nos últimos quatro meses pelo que a organização descreveu como acusações imprecisas vinculadas à segurança nacional. O escritório de direitos humanos da ONU, por sua vez, estima em pelo menos 24 o número de pessoas executadas este ano em conexão direta com os protestos de janeiro.
Testemunhas citadas por veículos internacionais relataram que, nas horas que antecederam as execuções desta terça-feira, uma forca de ferro foi instalada na praça Alikhani sob um forte aparato de segurança, e que ocorreram confrontos breves entre agentes e pessoas reunidas na área durante a noite. A missão permanente do Irã junto às Nações Unidas em Genebra não respondeu aos pedidos de comentário. Teerã negou no passado acusações de abusos contra presos condenados por delitos relacionados aos protestos.
Com dez condenados ainda aguardando seu destino no caso Alikhani, a política de execuções públicas se desenha como uma ferramenta deliberada do regime para projetar força após um conflito que, apesar da morte de seu principal líder, não conseguiu romper seu controle interno.
| ℹ️ | Nota do editor: O AR NEWS 24H publica conteudos baseados em fontes externas. As informacoes e opinioes presentes no material original sao de responsabilidade de seus respectivos autores. Este conteudo foi traduzido e adaptado para o portugues do Brasil com auxilio de ferramentas automatizadas. |
