Administração Trump designa 20 grupos criminosos do Hemisfério Ocidental como organizações terroristas
Medida amplia alcance legal para bloquear recursos financeiros e redes de apoio a cartéis e gangues latino-americanas
AR NEWS 24H — A administração do presidente Donald Trump designou formalmente 20 grupos criminosos que atuam no Hemisfério Ocidental como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A medida, que abrange cartéis mexicanos, gangues equatorianas, venezuelanas, brasileiras e salvadorenhas, nega a essas organizações o acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.
![]() |
| Governo americano bloqueia acesso financeiro de 20 gangues do Hemisfério Ocidental |
O anúncio mais recente ocorreu nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, quando o Departamento de Estado incluiu o Cartel de Juárez e o grupo Los Viagras na lista de FTOs. As duas organizações criminosas mexicanas se juntam a outros seis cartéis do país que já haviam recebido a mesma classificação desde fevereiro de 2025, quando Trump estendeu o rótulo de terrorista a grupos latino-americanos.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que tanto o Cartel de Juárez quanto Los Viagras cometeram atos terroristas ou representam risco grave de ameaçar a segurança dos cidadãos americanos, a política externa ou a economia dos Estados Unidos.
Expansão da lista de grupos designados
Com as novas inclusões, oito cartéis mexicanos passaram a integrar a lista: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), Cartel do Golfo, Cartel do Nordeste, Cárteles Unidos, La Nueva Familia Michoacana, Cartel de Juárez e Los Viagras.
Gangues de outros países latino-americanos também foram alvo das designações, incluindo organizações da Venezuela, Brasil, Equador e El Salvador. No início de julho de 2026, o governo americano classificou a gangue equatoriana Chone Killers como organização terrorista estrangeira.
De acordo com Rubio, os Chone Killers realizaram numerosos ataques contra civis, policiais e autoridades governamentais, incluindo assassinatos de alto perfil de funcionários públicos.
Implicações legais e financeiras
A classificação como FTO e SDGT amplia significativamente a autoridade legal do governo dos Estados Unidos para atingir as redes financeiras, os apoiadores e os vínculos internacionais desses grupos criminosos. As organizações designadas perdem o acesso ao sistema financeiro americano e seus bens sob jurisdição dos EUA podem ser congelados.
Além disso, qualquer pessoa ou entidade identificada como fornecedora de apoio material a esses grupos passa a estar sujeita a sanções e processo criminal nos Estados Unidos.
Contexto de pressão na fronteira
O Cartel de Juárez, uma das organizações de tráfico mais antigas do México, controla há décadas um ponto de passagem crucial na fronteira entre os dois países: Ciudad Juárez, vizinha a El Paso, no Texas. Seu fundador, Amado Carrillo Fuentes — conhecido como "El Señor de los Cielos" — transformou o transporte de toneladas de drogas em um negócio de milhões de dólares na década de 1990.
O grupo foi acusado de envolvimento nos assassinatos de nove mulheres e crianças americanas de uma comunidade mórmon dissidente em 2019, no estado de Sonora.
Já Los Viagras atua no estado ocidental de Michoacán, onde outras duas organizações já haviam sido designadas como terroristas. O grupo é liderado por Nicolás Sierra Santana, conhecido como "El Gordo", que enfrenta acusações formais em Washington por conspiração para tráfico de drogas. O Departamento de Estado oferece recompensa de US$ 5 milhões por informações que levem à sua captura.
Reação equatoriana
O Ministério das Relações Exteriores do Equador saudou a decisão americana de classificar os Chone Killers como organização terrorista. O governo equatoriano afirmou que a medida reflete o apoio dos Estados Unidos à campanha do presidente Daniel Noboa contra as organizações criminosas no país.
Segundo Rubio, gangues equatorianas ajudam cartéis mexicanos a transportar e exportar drogas ilícitas, financiando terrorismo e outras atividades criminosas.
PCC e Comando Vermelho na mira de Washington
O Brasil também está no centro da ofensiva americana. Em maio de 2026, o Departamento de Estado designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), classificando as duas maiores facções criminosas do país como organizações terroristas estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho. Juntas, as facções comandam milhares de integrantes dentro e fora dos presídios brasileiros e são apontadas pelo governo americano como responsáveis por tráfico internacional de drogas, armas e ataques violentos contra autoridades. A medida amplia a capacidade dos Estados Unidos de rastrear e congelar ativos financeiros do PCC e do Comando Vermelho em todo o sistema bancário americano, além de permitir sanções contra qualquer pessoa ou empresa identificada como fornecedora de apoio material às duas organizações.
