Hezbollah afirma que governo Libanês deve renunciar se não proteger a soberania nacional
Naim Qassem critica apelos por desarmamento e acusa o governo de facilitar agenda EUA-Israel. Negociações de cessar-fogo em Washington e um possível MoU entre EUA e Irã marcam o pano de fundo.
Beirute, Líbano – O secretário-geral adjunto do Hezbollah, Naim Qassem, declarou no domingo que o governo libanês deveria renunciar caso não consiga garantir a proteção da soberania do país. Em um pronunciamento televisionado, Qassem afirmou que os cidadãos têm o direito de "ir às ruas" para derrubar o governo e confrontar o que ele descreveu como uma "agenda EUA-Israel".
Qassem rejeitou veementemente os apelos do governo libanês, dos Estados Unidos e de Israel para o desarmamento do Hezbollah. Ele descreveu essa exigência como uma tentativa de "eliminar a resistência" e criticou as decisões governamentais que, segundo ele, efetivamente "criminalizaram a resistência".
As tensões se agravaram em 2 de março, quando o Hezbollah lançou seis foguetes contra Israel, em retaliação ao assassinato do falecido Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, pelas forças americanas e israelenses. Naquele mesmo dia, o primeiro-ministro Nawaf Salam declarou que toda atividade militar conduzida pelo Hezbollah fora da autoridade do Estado era ilegal e exigiu a entrega de armas do grupo ao governo. Posteriormente, o Ministro da Informação, Paul Morcos, ordenou que os veículos de comunicação oficiais libaneses parassem de se referir ao Hezbollah como "a resistência".
"Não pedimos ao Estado que confronte o projeto EUA-Israel, mas ele não deve se tornar um instrumento para facilitá-lo", disse Qassem, questionando se as autoridades libanesas estavam cumprindo sua responsabilidade constitucional de salvaguardar a soberania e a segurança do país.
As declarações do líder do Hezbollah surgem em um momento crucial, uma semana após a terceira rodada de negociações diretas entre autoridades libanesas e israelenses em Washington. O objetivo dessas conversas é garantir um cessar-fogo mais duradouro e abordar questões de segurança pendentes no sul do Líbano, incluindo o papel militar do Hezbollah ao sul do rio Litani. Qassem já havia anteriormente instado Beirute a se retirar dessas negociações e a interromper suas "concessões gratuitas", especialmente diante das contínuas violações do cessar-fogo por parte de Israel.
Os comentários de Qassem também ocorrem em meio a relatos sobre um memorando de entendimento (MoU) proposto entre os Estados Unidos e o Irã. Segundo as informações, este acordo poderia interromper os combates em todas as frentes regionais, incluindo o Líbano, a partir da manhã de segunda-feira, caso seja aprovado por ambas as partes. No entanto, a publicação Axios informou que o acordo proposto permitiria que Israel continuasse a agir no Líbano caso o Hezbollah "tentasse se rearmar", o que, na prática, preservaria a liberdade de movimento militar israelense em território libanês.
Autoridades do Hezbollah, incluindo Qassem, já rejeitaram tais termos, reiterando que os ataques do grupo continuarão até que Israel se retire completamente do território libanês e ponha fim às hostilidades. O Hezbollah tem repetidamente alertado contra a repetição de um cessar-fogo semelhante ao que vigorou entre novembro de 2024 e março de 2026, período durante o qual ataques israelenses dentro do Líbano causaram mais de 500 mortes, em sua maioria mulheres e crianças.
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