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O ciclo da Omissão: Dois anos de inércia e assédio no HGE de Maceió

Dois pesos e duas medidas: O câncer da injustiça no HGE de Maceió

O editorial que se segue expõe uma ferida aberta na administração pública de Alagoas: a estagnação crítica do Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió. Ao confrontar as promessas registradas em março de 2024 com a realidade desoladora de abril de 2026, o texto denuncia como a falta de infraestrutura básica, o assédio moral institucionalizado e o aparelhamento político transformaram a maior unidade de emergência do estado em um cenário de injustiça e exaustão. Mais do que um relato de precariedades físicas, trata-se de um manifesto contra o descaso e a desigualdade no tratamento de servidores, exigindo que a gestão saia do campo da retórica e enfrente, de forma imediata e transparente, o colapso ético e operacional que vitima trabalhadores e pacientes.

EDITORIAL

Há exatamente dois anos, em março de 2024, as dependências do Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió serviam de cenário para uma reunião que, à época, parecia ser o prelúdio de uma mudança necessária. Representantes do SINDPREV-AL e a diretoria da unidade sentaram-se à mesa para discutir uma lista extensa e alarmante de precariedades: de colchões insalubres a denúncias graves de assédio moral. Hoje, em abril de 2026, o sentimento que impera nos corredores da maior unidade de urgência e emergência de Alagoas não é o de progresso, mas o de um "déjà vu" amargo.

SINDPREV-AL no HGE
Reunião em março de 2024 - SINDPREV-AL no HGE



A realidade atual do HGE é a prova de que promessas administrativas, quando desacompanhadas de ação efetiva e dotação orçamentária, são apenas palavras ao vento. Naquele encontro de 2024, o Diretor Geral Fernando Melro foi enfático ao solicitar nomes de envolvidos em casos de assédio moral, prometendo providências. Contudo, dois anos depois, as denúncias de perseguição, ameaças em escalas e o uso do poder como ferramenta de humilhação continuam a ecoar. O assédio moral não é um incidente isolado no HGE; parece que se tornou um método de gestão.

Vários Servidores de algumas Alas denunciam que estão sendo assediados por algumas coordenações em represália a discordâncias com as mesmas. As ameaças são de mudar as escalas no próximo mês, além disso tem coordenadora que deu o contato pessoal para o paciente informar sobre a conduta do funcionário.

Devoluções de servidores sem o processo administrativo legal, remanejamento para outros setores. SINDPREV AL , março de 2024

 


Os problemas estruturais listados no relatório de 2024 — e que persistem até hoje — são indignos tanto para quem trabalha quanto para quem busca cura:

  • Déficit de Repouso: Como exigir excelência de um profissional que precisa dividir nove camas entre 21 funcionários em áreas críticas como Trauma e Vermelha?
  • Insolação Interna: A recepção, porta de entrada para a dor da população, continua operando sob temperaturas que levam pacientes e servidores à exaustão por falta de climatização.
  • Desumanização na Enfermagem: O absurdo relatado anteriormente — técnicos proibidos de usar banheiros por hierarquias descabidas — é o sintoma mais claro de uma cultura organizacional adoecida.

A desculpa da "falta de autonomia financeira" tornou-se um escudo conveniente. Se a Secretaria Estadual de Saúde (SESAU) afirma que não autorizou cortes e a direção do hospital alega que pede recursos que não chegam, onde está o gargalo? A resposta está na falta de prioridade política para com o servidor público e, consequentemente, com o paciente.

O assédio moral, conforme define a legislação brasileira, é uma violação dos direitos fundamentais. No HGE, ele se manifesta na punição silenciosa de quem discorda, no remanejamento arbitrário de servidores em readaptação e na sobrecarga desumana imposta aos profissionais de enfermagem na RPA.

Não podemos mais aceitar que relatórios de dois anos atrás sirvam como descrição fiel do presente. A saúde pública de Alagoas não pode ser gerida na base do "faz de conta". O SINDPREV-AL cumpriu seu papel de denunciar e protocolar; agora, cabe aos órgãos de fiscalização — Ministério Público do Trabalho e Conselho Estadual de Saúde — uma intervenção que vá além das atas de reunião.

HGE: Entre o Feudo Político e o Abandono Funcional

O desgaste institucional atinge seu ponto mais sensível quando a administração parece ser guiada por conveniências de momento, em detrimento dos princípios de impessoalidade que devem reger o serviço público.

"A percepção de que normas administrativas seriam aplicadas com rigores distintos — penalizando vozes dissonantes enquanto, supostamente, concedem-se flexibilidades de jornada a grupos alinhados à gestão — compromete a integridade da instituição. Quando a impessoalidade, pilar da administração pública, é substituída por tratamentos diferenciados, o HGE corre o risco de ver sua função social de unidade de saúde ser ofuscada por dinâmicas de poder que lembram estruturas de privilégios particulares."

O Custo da Iniquidade

Essa disparidade no tratamento dos servidores gera consequências que ultrapassam as paredes administrativas:

  • Destruição do Clima Organizacional: Nada desmotiva mais um trabalhador dedicado — que cumpre horários e enfrenta a falta de estrutura — do que ver um colega "protegido" receber o mesmo salário (ou mais, via extras) sem sequer comparecer ao plantão.
  • Sobrecarga Real: Quando um servidor "fantasma" ou que "bate o ponto e sai" não cumpre sua função, o trabalho não desaparece; ele é empurrado para os ombros de quem não tem padrinho político, gerando a exaustão e o erro médico.
  • Improbidade Administrativa: Jamais esquecer que a conivência com o não cumprimento da jornada de trabalho é crime de improbidade. O gestor que sabe da existência de funcionários que não comparecem e nada faz, torna-se cúmplice do dano ao erário.

A Política como "Régua e Compasso"

O relato de que o assédio moral é usado como arma de represália contra quem discorda das coordenações fecha o ciclo vicioso. Ocupar cargos técnicos por indicação política sem critérios de competência transforma o HGE em um ambiente de medo.

A pergunta que fica para a SESAU e para os órgãos de controle é: Até quando o interesse de grupos políticos será soberano sobre o direito do cidadão alagoano de ter um hospital eficiente e o direito do servidor de ter um ambiente de trabalho justo?

O editorial agora se completa com uma faceta ainda mais sombria: o HGE não padece apenas de falta de recursos, mas de uma profunda crise de integridade, onde a escala de serviço parece ser ditada pelo título de eleitor, e não pelo crachá funcional.

O HGE precisa de gestão, não de retórica. O servidor precisa de respeito, não de ameaças. Maceió não pode aceitar que o seu principal hospital seja um moedor de gente, onde a cura do paciente custa o adoecimento mental de quem cuida. O tempo das promessas acabou em 2024. Em 2026, exigimos resultados.

🔑PALAVRAS-CHAVE:

Assédio-Moral | HGE-Maceió | SINDPREV-AL | Direitos-Trabalhistas | Saúde-Pública | Improbidade-Administrativa | Precarização | Alagoas | SESAU | Ética-na-Gestão

📙 GLOSSÁRIO:
Assédio Moral: Exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.

Dotação Orçamentária: Reserva de recursos financeiros no orçamento público para uma finalidade específica (ex: compra de equipamentos ou reformas).

Déjà vu: Expressão francesa que descreve a sensação de já ter vivenciado uma situação presente no passado. No texto, refere-se à repetição dos problemas de 2024.

Improbidade Administrativa: Conduta inadequada de um agente público que viola os princípios de honestidade, legalidade e lealdade às instituições.

Dano ao Erário: Prejuízo causado ao patrimônio público, como o pagamento de salários a funcionários que não cumprem jornada.

RPA (Recuperação Pós-Anestésica): Área hospitalar destinada aos pacientes em observação imediata após procedimentos cirúrgicos.

Readaptação: Mudança de função do servidor público que sofreu limitação em sua capacidade física ou mental, respeitando suas novas condições de saúde.

Iniquidade: Falta de equidade; grave injustiça cometida pela gestão ao tratar funcionários de forma desigual.

Feudo Político: Termo figurado para designar um setor público controlado de forma absoluta por um grupo político, visando interesses particulares em vez do bem comum.

SINDPREV-AL: Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social, Trabalho, Previdência e Saúde no Estado de Alagoas.

🖥️ FONTES :

Relatório de Reunião SINDPREV-AL e Direção do HGE (13 de Março de 2024).

Constituição Federal Brasileira (Art. 37 - Princípios da Administração Pública).

Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa).

Denúncias Diretas de Servidores do Hospital Geral do Estado (Maceió-AL).

Arquivos e Registros de Reuniões da SESAU (Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas).

NOTA:
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