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Como cientistas usaram a malária para “curar” a sífilis

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Nem todas as pesquisas ganhadoras do Prêmio Nobel são lembradas com carinho. Um cientista descobriu que febres altas induzidas pela malária poderiam curar a sífilis, desde que as febres não prejudicassem primeiro os pacientes.
Um médico examina a garganta de uma jovem usando uma pequena caneta, final da década de 1920. (Foto de Arquivo Hulton)

 

A história da ciência está cheia de estudos premiados que mais tarde caíram em descrédito à medida que novas evidências surgiam. Um exemplo é o Prêmio Nobel de Medicina de 1927 dado a Julius Wagner-Jauregg por seu tratamento da sífilis usando infecção proposital por malária. Embora seu método tenha tido algum sucesso na época, agora sabemos que não era seguro ou ético, e foi superado pelo advento dos antibióticos.

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida primariamente pela relação sexual. A maioria das pessoas desenvolve apenas sintomas leves, mas em alguns casos a bactéria viaja para o líquido cefalorraquidiano, causando neurosífilis com sintomas graves como convulsões e demência. Wagner-Jauregg observou um caso em que a febre causada por uma infecção bacteriana coincidiu com uma melhora da psicose. Isso o levou a propor a malarioterapia, induzindo febres usando o protozoário Plasmodium, causador da malária.

Quando os eritrócitos são infectados pelo Plasmodium, eles explodem, liberando mais parasitas e causando altas febres. Wagner-Jauregg pensou que temperaturas acima de 37°C seriam letais para o T. pallidum, curando assim a sífilis, desde que o paciente sobrevivesse à febre da malária. A taxa de sucesso de cerca de 25% foi melhor do que nada na época, e ele recebeu o prêmio Nobel em 1927 pelo trabalho.

Embora a abordagem de Wagner-Jauregg tenha tido algum fundamento biológico, induzir febres usando uma doença potencialmente mortal como a malária hoje é considerado antiético. Além disso, a descoberta da penicilina em 1928 por Alexander Fleming levou ao desenvolvimento de antibióticos efetivos contra bactérias como o T. pallidum. Isso significava que a malarioterapia já não era mais necessária.

Hoje sabemos mais sobre a biologia das doenças tratadas. A sífilis é causada pelo espiralado T. pallidum, que evita a resposta imune e pode atingir o sistema nervoso central. Já a malária é causada pelo protozoário Plasmodium, que infecta os eritrócitos e causa febres devastadoras. Embora a abordagem de Wagner-Jauregg tivesse alguma lógica biológica para a época, hoje reconhecemos que não era ética dada a natureza potencialmente mortal da malária.

Esse caso histórico ilustra como o conhecimento científico avança através do teste crítico de novas ideias e da substituição de tratamentos por alternativas mais seguras e eficazes. Embora premiados em seu tempo, estudos pioneiros como este de Wagner-Jauregg acabaram sendo superados por novas descobertas. Isso demonstra a importância do ceticismo saudável e da abertura a novas evidências na ciência.
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