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Brasil cambaleia com o aumento dos casos de COVID-19; hospitais e economia sob pressão

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covid e economia
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Por Pedro Fonseca e Eduardo Simões

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - 

O Brasil está sofrendo um aumento acentuado nos casos de COVID-19 à medida que a variante Omicron se espalha pelo país, pressionando os serviços de saúde e pesando sobre uma economia já estagnada.

Testes insuficientes e um apagão de dados https://www.reuters.com/world/americas/weak-testing-data-outage-leave-brazil-in-dark-omicron-advances-2022-01-07 causado por hackers fizeram é mais difícil para os especialistas rastrear a disseminação da variante altamente contagiosa no Brasil, mas há sinais cada vez mais claros de que está atingindo com força a maior nação da América Latina.

Os casos confirmados quase dobraram desde a semana passada, com a média móvel nos últimos sete dias subindo para 52.500, de 27.267 na última quarta-feira.

Especialistas acreditam que o número real é muito maior, devido à falta de testes e sistemas irregulares para relatórios e divulgação pública de dados.

Até agora, as mortes - em torno de 120 por dia - continuam muito abaixo do ano passado, quando o Brasil foi brevemente o epicentro global da pandemia, com mais de 3.000 mortes por dia.

Com mais de 620.000 mortos, o Brasil tem o terceiro maior número de mortes por COVID-19, atrás dos Estados Unidos e da Rússia, segundo cálculos da Reuters.

O presidente Jair Bolsonaro tem sido amplamente criticado por lidar com a pandemia, protestando contra bloqueios, recusando-se a usar máscara em público e optando por não ser vacinado.

Os epidemiologistas esperam que uma forte campanha de vacinação, que viu 67% da população totalmente inoculada, diminua o impacto da atual onda de infecções.

Mas, à medida que a demanda por serviços de saúde aumenta, os hospitais também sofrem com a falta de pessoal, pois médicos e enfermeiros se auto-isolam após testarem positivo para o vírus.

"Se você não conhece um amigo que tenha o vírus no momento, significa que você não tem amigos", disse César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

"A situação é preocupante e é possível que alguns serviços entrem em colapso", disse ele, acrescentando que as ausências de funcionários nos hospitais triplicaram em quatro semanas desde que a onda Omicron atingiu.

Um sindicato de médicos de São Paulo ameaçou na sexta-feira uma greve na próxima quarta-feira por médicos que trabalham em clínicas públicas na maior cidade do país para exigir reforços. O sindicato disse que os médicos da linha de frente estavam sofrendo de exaustão e falta de pessoal, pois colegas infectados são forçados a se isolar.

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'SEM DADOS CONFIÁVEIS'

A variante também está afetando a economia em geral. A Associação Nacional de Restaurantes do Brasil disse que 85% de seus membros estão lidando com ausências de funcionários, com cerca de 20% da força de trabalho fora.

As companhias aéreas Azul SA e Latam Airlines Group foram obrigadas a cancelar voos por falta de pessoal, resultando em longas filas em alguns aeroportos.

Para tentar amenizar o impacto, o Ministério da Saúde reduziu nesta semana o período de quarentena para pacientes assintomáticos da COVID-19 para sete dias, de 10.

Vários estados cancelaram as celebrações do Carnaval, na esperança de retardar a propagação. Rio de Janeiro e São Paulo proibiram as famosas festas de rua, embora por enquanto ambas as cidades ainda planejem um desfile de samba.

Os cientistas temem que a escala total do surto só se torne clara nas próximas semanas.

Alguns bancos de dados do Ministério da Saúde estão offline desde que um aparente ataque de ransomware em 10 de dezembro prejudicou seriamente a capacidade do governo de coletar dados das autoridades estaduais de saúde. Os testes permanecem bem abaixo dos pares sul-americanos.

"Estamos completamente sem dados confiáveis", disse Alexandre Naime Barbosa, chefe de epidemiologia da Universidade Estadual de São Paulo.

(Reportagem de Pedro Fonseca e Eduardo SimoesEscrita por Stephen EisenhammerEdição de David Gregorio e Paul Simão)

Reuters 2022
 


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