Revolta após nova ação da PSP, reações a multas e críticas a Seguros

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 4 min de leitura
Revolta após nova ação da PSP, reações a multas e críticas a Seguros

As manifestações por moradia em Portugal voltaram a ser marcadas por uma nova ação da PSP, na madrugada do último domingo, 1º de novembro, que resultou em várias pessoas feridas e outras presas.

Mais uma vez, vários rostos conhecidos se juntaram aos manifestantes e defenderam as pessoas que estão saindo às ruas para lutar por moradia, criticando a ação policial, as multas que decidiram passar para as pessoas que buzinaram em forma de protesto e ainda também houve quem criticasse igualmente o silêncio do Presidente da República, António José Seguro.

Eu, perigosa, terrorista me confesso. Estou aqui no meio de milhares e milhares de pessoas jovens, mais velhos que eu, menos velhos que eu... Tudo com ar terroristas, todos cheios de armas na mão pela habitação e pela vida e, sobretudo, pela não violência. Pela não violência. Estão ouvindo? Pela paz no mundo, senhores ministros. Percebem? Não percebem, não sei, mas hão de perceber. Tem que ser. Fascismo nunca mais”.

Mas antes ele já havia deixado uma publicação em sua página no Instagram lamentando novamente o desfecho da manifestações. "Sem palavras para a tristeza que me invade."

Por sua vez, Filipe Vargas escreveu inicialmente em sua página no Instagram: "Sempre apoiarei o lado que quer que as pessoas tenham comida, casa, educação e sejam tratadas com dignidade".

Mais tarde, o ator criticou o silêncio do presidente da República António José Seguro. Seguro não falou depois da primeira agressão no Porto, depois disse pouco após as novas agressões no Porto e das primeiras em Lisboa e ainda nada disse sobre as duas últimas agressões de ontem, no Norte e Sul.

Seguro é o Presidente da nossa Democracia eleito com mais votos de todos os tempos, superando a faixa dos 3 milhões e 500 mil. Não falar em nome destes mais de 3 milhões não é opção. Foi para isso que votamos nele, contra a ameaça de um Ventura e contra os tiques anti-democráticos já demonstrados por este governo antes das eleições presidenciais.

Recorde-se que, segundo a fonte oficial da Presidência da República, "o Presidente da República solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está acontecendo com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".

Já Luís Filipe Borges criticou a decisão de multarem pessoas que passaram de carro e buzinaram em forma de protesto contra a polícia.

A sério que estão multando as pessoas por buzinadelas? De génio, o país está salvo! Bancarrota nunca mais! Quando fizerem as contas ao dinheiro que a malta está devendo por todos os títulos da bola celebrados desta maneira, é Portugal que vai interceder junto do FMI! E ainda pagamos a dívida externa dos EUA.”

Os ataques violentos da polícia sobre as Acampadas pacíficas de Lisboa e do Porto são um sintoma terrível de deriva autoritária, de repressão da dissidência e de incapacidade de ouvir as reivindicações uma trindade que nada tem a ver com um regime democrático.

O mouvement lycéen’ na França e as acampadas pela habitação em Portugal são mobilizações sociais com muitas diferenças, mas têm em comum o fato de terem nascido da juventude e terem merecido a adesão ou apoio de largos setores da sociedade. Penso também na lista dos estudantes na Sérvia ou nas manifestações na Espanha e na Itália ou no modo como a participação da juventude brasileira contribuiu para a virada progressista do segundo turno.

Em todo esses casos, respeitando as inúmeras diferenças de cada fenômeno, há uma juventude que deve ser ouvida. E esse o nosso dever enquanto sociedade, até porque sem essa escuta atenta, que dignifica quem é ouvido e quem ouve, não há dialogo nem soluções possíveis para os problemas.

Sem escuta só resta a boçalidade irresponsável com que vemos alguns deputados da extrema-direita e da direita exprimir-se, incentivando à brutalidade policial, indignos, grosseiros, com termos que deveriam ser alvo de acusações formais de incitação à violência (como está acontecendo com figuras e canais de televisão da extrema-direita francesa depois do atentado racista de Trappes). Para que o poder político possa mostrar que está à escuta da juventude, é preciso deixarmos de ouvir o ruído das botas e dos bastões.”
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