Nem ateu, nem terraplanista: Por que a Bíblia não teme a ciência

✍️ Opinião — conteúdo de fonte externa Autoria informada pela fonte: Eduardo Baldaci ⏱️ 4 min de leitura
Nem ateu, nem terraplanista: Por que a Bíblia não teme a ciência

Digo isso porque todos os que expressam suas opiniões e estudos e os submetem ao ambiente digital irão sofrer com os haters. E eu não tinha a pretensão de ser diferente, ainda mais sendo um pastor falando sobre ciência.

Essa ideia foi defendida por C. S. Lewis e sintetizada pelo teólogo John Stott.

Disponho-me a escrever para uma audiência que lê, interpreta e reflete, e não para quem simplesmente acorda pela manhã e decide a quem vai ofender na internet.

Todos os que procuram ser sábios (e não apenas inteligentes) precisam ler a Bíblia usando ferramentas como a exegese e a hermenêutica. Sem isso, o leitor dá margem a interpretações literalistas, as quais, historicamente, deram origem a seitas e heresias.

Eu respeito todas as religiões, mas existe uma diferença evidente entre respeitar e concordar.

Idade Média, a Terra precisava ser o centro físico do universo.

Tudo isso tem mais a ver com dogmas religiosos do que propriamente com uma correta interpretação bíblica.

Ocorre que, via de regra, herdamos elementos dessas duas correntes somados a um fraco exame das Escrituras.

Não sou liberal, tampouco socialista querendo desmerecer a Palavra de Deus. Sou um defensor da inerrância bíblica que reconhece os muitos equívocos de homens pecadores quando estes se apegam mais às tradições humanas do que aos textos originais.

Deus tem um padrão: Ele cria tudo com um propósito, no tempo oportuno (kairós), com ordem e coerência. Ele não criaria um planeta para só depois conceber uma estrela.

Como afirmo isso? Porque até hoje o Criador forma primeiro as estrelas e, subsequentemente, os sistemas planetários.

Gênesis 1:1 ilustra essa ordem: "No princípio criou Deus os céus e a terra".

Fosse diferente, o autor inspirado registraria: "… a terra e os céus".

Repetidas vezes afirmei que a Bíblia não é um tratado científico; todavia, quando toca em aspectos da ciência, não comete erros. Assim, a Terra não é o centro astronômico do universo, mas a criação terrestre é o centro do propósito redentor de Deus.

Em outras palavras: nosso planeta é o centro espiritual e teológico do amor divino. Trata-se de duas realidades distintas: uma física e outra espiritual.

Um dos grandes perigos é um leitor desprovido de repertório literário ou histórico que assume o sério risco de interpretar metáforas, alegorias e parábolas de maneira excessivamente literal, esvaziando a profundidade do texto bíblico.

Em minha primeira aula de hebraico no seminário, quando compreendi que o vocábulo "dia" (yom) comporta diferentes acepções semânticas, tudo passou a fazer sentido.

1. Criacionismo da Terra Jovem (Dia Literal de 24 horas): defende que, no Antigo Testamento, sempre que yom é acompanhado de numeral cardinal/ordinal e da fórmula "tarde e manhã", refere-se estritamente a um dia solar ordinário.

2. Criacionismo da Terra Antiga (Teoria do Dia-Era): interpreta yom, em Gênesis 1, como eras geológicas extensas, amparando-se em passagens como Gênesis 2:4 e Salmos 90:4 ("mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem").

3. Visão da Estrutura Literária: argumenta que os dias de Gênesis 1 não representam uma sequência cronológica rígida, mas uma moldura poético-teológica simétrica (dias 1 a 3 estabelecem os domínios; dias 4 a 6 introduzem seus governantes).

Quando me disponho a debater com um ateu, preciso ter clareza de que, muitas vezes, ele dispõe de argumentação mais elaborada do que nós, que deveríamos ser profundos conhecedores da eterna e infalível Palavra de Deus.

Infelizmente, na prática, não é isso o que se vê. Pleno século 21, e mentalidades medievais permanecem vivas: cristãos sustentando que a ciência é demoníaca, que a Terra é plana ou que dinossauros embarcaram na arca de Noé.

Precisamos resgatar nossa maturidade teológica e nos questionar: nosso compromisso repousa sobre a Palavra de Deus e sua correta hermenêutica ou sobre tradições dogmáticas?

Digo isso ao ver, com frequência, conteúdos viralizados nos quais se defende o terraplanismo com base em livros apócrifos, como o de Enoque.

Não sou ateu

Não sou liberal. Creio piamente nas Escrituras; apenas as interpreto com rigor exegético, e não pela régua rasa das redes sociais.

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