
Quais foram as últimas palavras que Brandon Guffey disse ao seu filho. Gavin? Quatro anos depois, ele ainda se debate com essa pergunta. "Essa última conversa me incomoda constantemente", diz ele. Acho que eu disse: 'Boa noite, amigão.
Espero sinceramente que tenha sido isso que eu disse. "A verdade é que nunca saberei com certeza".

A conversa aconteceu em 2022, em um dia quente de julho em Rock Hill, Carolina do Sul, onde, poucas semanas antes, Guffey havia conquistado a indicação republicana para concorrer a uma vaga na Câmara dos Representantes do estado. Faltavam três meses para a eleição, a cabeça de Guffey fervilhava de política, e ele havia passado aquela noite em um evento local.
A casa estava silenciosa quando ele voltou pouco antes da meia-noite. Sua esposa, Melissa, já estava dormindo; seus dois filhos mais novos, Callahan, de 4 anos, e Coen, de 16, e os dois cachorros da família também estavam dormindo. Os únicos sons eram as cigarras de verão e o coaxar dos sapos no riacho próximo – e também a risada de seu filho de 17 anos, Gavin. Ele estava jogando videogame no quarto, com fones de ouvido, conversando com os amigos. Era o longo recesso de verão entre o ensino médio e o início da faculdade. "Costumo dizer que Gavin estava vivendo a melhor fase da sua vida naquele momento", diz Guffey. "Ele simplesmente se sentia confortável consigo mesmo".
Ele não estava tentando se encaixar ou agradar ninguém. "Ele estava ansioso para começar a faculdade e realizar seu sonho de se tornar professor de arte".
O telefone de Guffey tocou. Ele se arrepende de ter atendido. A ideia de que Gavin pudesse ter precisado do pai quando ele estava indisponível, conversando sobre política na varanda, é quase insuportável – mas, na hora seguinte, a vida de Gavin mergulhou na escuridão.
Instagram de BellaJanet28
Eles tinham amigos em comum – a conversa entre eles mostra que Gavin achava que ela era uma jogadora de vôlei de uma faculdade local. Guffey ainda não conseguiu ler a conversa que aconteceu entre eles, mas sabe que BellaJanet28 sugeriu um jogo de verdade ou desafio, o que levou Gavin a enviar fotos íntimas e, em seguida, a uma tentativa de extorsão sexual. BellaJanet28 exigiu dinheiro, caso contrário, as imagens seriam compartilhadas com todos os contatos de Gavin.

Por volta de 1h30 da manhã, Guffey viu Gavin no patamar da escada, onde tiveram aquela última discussão. Momentos depois, um som aterrador, um estrondo, como o de uma bola de boliche, ecoou do banheiro, onde Guffey encontrou o filho caído no chão. O cheiro de pólvora, o sangue encharcando suas meias, os gritos de Melissa, ainda o assombram e o horrorizam. "Nunca vou parar de reviver tudo isso", diz ele. "Estão gravados em mim para sempre."
Guffey é agora representante estadual da Carolina do Sul e um dos principais defensores da segurança infantil online. Em seu próprio estado, ele acompanhou a implementação de novos níveis de proteção. Apenas um ano após a morte de Gavin, graças à campanha de Guffey, a "Lei de Gavin" foi aprovada na Carolina do Sul, tornando a extorsão sexual um crime e tornando o ensino sobre o assunto obrigatório em todas as escolas. No ano passado, Guffey conquistou reformas ainda mais abrangentes que exigem que as empresas de mídia social ativem recursos de segurança quando os usuários na Carolina do Sul tiverem menos de 16 anos, incluindo a permissão dos pais para a conta e a proibição de marketing direto, da "rolagem infinita" e da reprodução automática de vídeos, todos associados ao tempo prolongado em frente às telas.
Ele fundou uma organização sem fins lucrativos, Less Than 3, que faz campanhas sobre esses temas e apoia famílias afetadas; ele compartilha regularmente a história de Gavin em escolas, igrejas e centros comunitários.
Agora, Guffey escreveu um livro sobre isso. "Tomorrow Needs You" é uma leitura difícil e angustiante – e brutalmente honesta. De diversas maneiras, Guffey se culpou. Sua carreira teve alguma influência? A maior parte da vida profissional. Guffey foi dedicada aos negócios, construindo um depósito de materiais para paisagismo, que ele ainda administra, mas em 2020, ele ingressou no conselho do condado e agora caminhava rumo a uma vaga no parlamento estadual.
Em uma noite de folga, Gavin viu a Lamborghini do jogador de basquete LaMelo Ball, mostrou a bunda ao lado dela e postou a foto no Twitter. "Eu dei uma bronca nele sobre o nome Guffey, para não estragar tudo", diz Guffey. (Gavin prontamente postou um pedido de desculpas – "Desculpa, Melo, não vou mostrar a bunda assim de novo" – com dois emojis de joinha.) "O Gavin viu amigos perderem bolsas de estudo da faculdade por alguma besteira que disseram no Twitter", diz Guffey. "Para ele, tudo fica online. Essas imagens nunca iriam desaparecer."
Mesmo deixando de lado sua carreira política, Guffey sentia que havia falhado como pai, como exemplo. "Sentado ali naquela noite, eu já me perguntava: 'Por que ele não pôde vir até mim? Será que ele tinha tanto medo de se mostrar vulnerável?'", diz Guffey. "Foi preciso uma tragédia para que eu realmente começasse a mergulhar fundo em mim mesmo e dissesse: 'Tenho feito isso errado a vida toda.'".
O próprio Guffey foi criado por uma mãe adolescente durona – ela trabalhava em três empregos e carregava um tijolo na bolsa – e ensinou o filho a ser durão também. "Ela tinha medo de que eu não tivesse uma influência masculina, então me incentivou a seguir esse lado masculino de 'meninos não choram', você aguenta firme, aconteça o que acontecer", diz ele. "Toda a minha família, toda a minha comunidade, essa é a mentalidade. Seja homem. Esfregue um pouco de terra nisso."

E então, havia a arma que Gavin usou para concretizar aquela terrível decisão tomada em uma fração de segundo. Ela pertencia a Guffey, que a havia levado em uma recente viagem de acampamento para se proteger e a deixou em uma prateleira alta, com a intenção de trancá-la. "Eu não sabia que a maioria dos suicídios é impulsiva", diz Guffey. Ele foi informado posteriormente que o tempo médio entre a decisão de tirar a própria vida e o ato em si é de apenas 20 minutos, mas quando há uma arma envolvida, pode ser menos de três. (Daí o nome de sua organização sem fins lucrativos.). Ele se desfez de suas armas. "Eu estava tão focado em proteger minha família de ameaças externas que não percebi os perigos que podem vir de dentro de casa", diz ele. "A ferramenta que eu tinha para proteger meu filho acabou sendo a ferramenta que ele usou para tirar a própria vida."
No início, o peso da dor e do fracasso parecia insuportável. Guffey conta que não conseguia ficar 15 minutos sem sentir que ia desmoronar. Às vezes, bebia demais — a ponto de desmaiar na calçada em frente de casa. Foi seu filho, Coen, que o chamou de lado e disse o quanto era difícil ver o pai daquele jeito que ele reagiu. "Eu estava tentando me anestesiar", diz ele. "Não parei de beber, mas agora não guardo bebidas alcoólicas em casa. Aprendi que qualquer emoção que eu sinta quando começo a beber é amplificada."
Aquela conversa com Coen marcou uma virada mais ampla. "A única maneira de eu conseguir funcionar era pensar que dois meninos estavam observando para ver como eu lidava com a situação, e eu estava ensinando a eles, querendo ou não", diz ele. "Pais são ótimos em dar conselhos. Nós é que somos péssimos em segui-los. Então, o que eu tenho tentado fazer desde então é pensar: 'Que conselho eu daria para o Coen?', e então tentar fazer isso".
O apoio imediato da comunidade foi fundamental. A partir da noite em que tudo aconteceu, a casa deles, segundo ele, se transformou em uma "pequena cidade", repleta de pessoas que traziam comida, levavam o lixo para fora e cuidavam de Callahan, de quatro anos. "Pessoas com quem eu tinha opiniões políticas completamente opostas simplesmente apareceram para estar lá", conta. "Nada nos faz perceber o quão tolas são metade das coisas pelas quais brigamos até que vivenciemos uma perda como essa".
O celular de Gavin rapidamente forneceu à polícia um relato claro da conversa que levou ao seu suicídio. O primeiro impulso. Guffey foi desistir da candidatura e se dedicar à perseguição de "BellaJanet28."
Embora Meta tivesse fechado essa conta

Instagram após uma intimação, alguém com a mesma foto de perfil e lista de amigos, usando o nome BellaJanet30, estava agora contatando os familiares de Gavin. Não se acredita que Gavin tenha sido alvo por causa da carreira de Guffey – provavelmente foi uma abordagem aleatória –, mas o extorsionista acompanhou os eventos desde então e agora exigia dinheiro de Melissa, Coen, do primo de 14 anos de Gavin e do próprio Guffey, em troca das imagens. Uma das mensagens continha uma manchete sobre Hunter Biden, sobreposta a uma foto de Gavin. A implicação era clara.
Dois dias antes do que seria o 18º aniversário de Gavin, pouco menos de um mês após sua morte, Guffey recebeu uma mensagem de BellaJanet30 que dizia: "Eu te contei que seu filho implorou pela vida?", com um emoji de carinha rindo. Guffey respondeu: "Eu vou te encontrar. Eu vou acabar com você. Você vai se arrepender disso."
Em meio a tudo isso, a perspectiva de "política", de disputar uma eleição e servir à comunidade parecia impossível. "A última coisa que eu queria era lidar com os problemas dos outros. Eu não me sentia mais qualificado", diz ele. Guffey disse a Melissa que estava desistindo, mas a resposta dela foi inequívoca. "Ela disse", lembra Guffey, "'De jeito nenhum. Você é uma das poucas pessoas que realmente podem fazer a diferença. Vá lá e salve o próximo Gavin.'"
De certa forma, essa missão também salvou Guffey e o manteve em movimento. Enquanto antes Guffey não sabia nada sobre extorsão sexual — um dos crimes online contra crianças que mais cresce —, agora são poucos os que sabem mais.
Guffey é um defensor apaixonado da revogação da Seção 230 nos EUA, que concede às plataformas imunidade legal pelo conteúdo que veiculam, por ser este gerado pelos usuários. "Eu adoraria ver um cenário sem redes sociais para menores de idade", afirma, "mas se as empresas de tecnologia pudessem ser responsabilizadas civilmente pelo que oferecem às crianças, elas priorizariam a segurança em vez do lucro".
A investigação sobre BellaJanet28 pelo FBI e pelas autoridades policiais da Carolina do Sul exigiu níveis de paciência sem precedentes, diz Guffey. "Era como prender a respiração debaixo d'água".
A descoberta crucial veio através dos números de verificação bancária que permitiram aos agentes rastrear as transações financeiras vinculadas à conta.

Em janeiro de 2025, o suspeito considerado responsável pela extorsão sexual de Gavin, Hassanbunhussein Abolore Lawal, foi extraditado da Nigéria. Guffey e Melissa compareceram à sua primeira audiência em Columbia, Carolina do Sul, onde ele se declarou inocente das acusações, incluindo exploração infantil resultando em morte, perseguição cibernética e coerção. "Eu o esperei sair, tão cheio de raiva, fúria e ansiedade que quebrei um dente", diz Guffey. "Assim que ele apareceu, minha esposa desabou e então tudo se resumiu a protegê-la, não a sentir raiva dele."
Ele não olhava para nós
A audiência preliminar está marcada para dezembro.
No curto período desde a morte de Gavin, Guffey acredita que houve algum progresso. "Nos primeiros dois anos, eu só recebia ligações de adolescentes que estavam passando por isso, e eu tentava convencê-los a falar com os pais", diz ele. "Agora, estou recebendo ligações dos pais, cujos filhos adolescentes contaram a eles e estão vindo até mim em busca de ajuda".
Mas nada do que ele faz parece suficiente. "Se você me perguntasse o que eu conquistei, eu não saberia dizer, porque é uma correria constante", afirma. "Essa é a minha forma de lidar com o luto. Cada um lida com isso de um jeito, e sinto que é isso que eu deveria estar fazendo. Às vezes, preciso usar essa raiva para me levantar, seguir em frente e enfrentar os dias."
Gavin esteve com ele em todos os momentos, diz ele, na multidão, na plateia quando Guffey faz um discurso e em casa quando ele entra pela porta. Ele vê o luto como uma espécie de "sistema climático... você está sempre sob ele", diz Guffey. "E você carrega um guarda-chuva o tempo todo".

Embora as pessoas frequentemente digam a Guffey o quão "forte" ele é, não é assim que ele se sente. "Força implica escolha", diz ele. "O que eu fiz foi sobreviver. Quando Gavin morreu, fiz um juramento de que sua morte não seria em vão. Minha missão até o dia da minha morte será tentar garantir que nenhum outro adolescente se sinta tão preso, envergonhado e desesperado como ele se sentiu naquela noite."
