
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (5), um dia após terminar o primeiro turno das eleições presidenciais atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Em reunião com integrantes da campanha, Lula afirmou que está "carregando nas costas" o que chamou de "promiscuidade" estabelecida na Suprema Corte.
A declaração ocorreu durante uma reunião de estratégia para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Lula também defendeu uma nova discussão sobre a estrutura do Poder Judiciário e os critérios para escolha dos ministros do STF.
Lula questiona escolha de ministros
Durante a reunião, o presidente afirmou que é necessário discutir com a sociedade quais critérios devem ser utilizados para a indicação de ministros do Supremo. Lula questionou se a escolha deve atender ao interesse do presidente da República, à pressão do Congresso ou a interesses econômicos.
O petista também defendeu a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros da Corte. Segundo ele, "ninguém está acima da lei", incluindo os integrantes do Supremo.
No atual mandato, Lula indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino para o STF. A indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga. Corte foi rejeitada pelo Senado.
Críticas ocorrem após resultado eleitoral
A manifestação de Lula ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Durante a reunião, Lula também afirmou que considera sua candidatura a única de caráter "antissistema" e classificou Flávio como "a cara do sistema." A declaração foi feita ao apresentar a estratégia política para os próximos dias de campanha.
O presidente ainda disse estar disposto a participar dos debates do segundo turno. Lula não participou dos principais debates da primeira etapa da eleição e afirmou que, agora, a disputa direta entre os dois candidatos permite um confronto de propostas.
As críticas ao STF ocorrem em meio à crise envolvendo ministros da Corte e o caso Banco Master, que passou a integrar o debate político durante a campanha eleitoral.
