
Um único osso do sul do Brasil indica que os herrerasaurídeos, entre os primeiros grandes dinossauros carnívoros, persistiram mesmo após a fauna ao seu redor ter se transformado.
Os dinossauros herrerasaurídeos viveram durante o período Carniano, na época do Triássico Superior, aproximadamente 230 milhões de anos atrás.
Eram caçadores bípedes com dentes serrilhados e grandes garras nas mãos, e alguns chegavam a medir mais de 5 metros (16 pés) de comprimento.
O grupo é conhecido apenas da América do Sul, por fósseis encontrados na Argentina e no Brasil.
Até então, os herrerasaurídeos em ambos os países provinham apenas de camadas rochosas dominadas por rincossauros, répteis herbívoros robustos.
As camadas mais recentes, onde um parente cinodonte dos mamíferos, do tamanho de um porco, chamado Exaeretodon, tornou-se mais abundante e os rincossauros declinaram, não produziram nenhum.
A ausência levantou a possibilidade de que os herrerasaurídeos tenham desaparecido quando a fauna mudou.
A ausência de registros de herrerasaurídeos em estratos caracterizados pela abundância de Exaeretodon pode refletir mudanças na fauna que, em última análise, impediram a persistência do grupo”, disse o Dr. Rodrigo Temp Müller, paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria.
Por exemplo, se os herrerasaurídeos fossem ecologicamente especializados em predar rincossauros, o declínio desses herbívoros pode ter afetado negativamente sua sobrevivência.”
No entanto, embora os rincossauros se tornem menos abundantes nesses conjuntos mais recentes, eles não estão ausentes da fauna.”
Consequentemente, isso por si só pode não explicar adequadamente a aparente ausência de herrerasaurídeos nesses depósitos.”
No estudo, o Dr. Müller examinou um fragmento do púbis (osso do quadril) de um herrerasaurídeo coletado em um sítio arqueológico próximo à cidade de Agudo, no Rio Grande do Sul, Brasil.
Catalogado como CAPPA/UFSM 0539, o fóssil é o primeiro registro de herrerasaurídeo em camadas rochosas onde o Exaeretodon é abundante.
O espécime foi coletado no sítio Várzea do Agudo, localizado no município de Agudo, Rio Grande do Sul, Brasil”, disse o Dr. Müller.
As camadas fossilíferas deste sítio pertencem à Formação Santa Maria, Bacia do Paraná”.
O autor sugere que os herrerasaurídeos eram suficientemente adaptáveis para sobreviver em ecossistemas modificados e que podem ter sido os principais predadores do local.
Ele também levanta a possibilidade de que este seja o herrerasaurídeo mais jovem conhecido, mas apenas se as rochas brasileiras forem mais jovens do que outras camadas que contêm herrerasaurídeos, como ocorre na Argentina.
A datação absoluta das camadas brasileiras continua sendo essencial para estabelecer um quadro cronológico mais confiável para as diferentes localidades fossilíferas do Triássico”, disse o pesquisador.
O estudo foi publicado em 19 de outubro de 2026 na revista Science of Nature.
R.T. Müller. 2026. Primeira ocorrência de um dinossauro herrerasaurídeo em uma fauna do Triássico Superior dominada por cinodontes traversodontídeos no sul do Brasil.
