Bolsonaro questiona o resultado: "É impossível reconhecer essas eleições; vamos solicitar sua anulação

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 3 min de leitura
Bolsonaro questiona o resultado: "É impossível reconhecer essas eleições; vamos solicitar sua anulação

Flóvio Bolsonaro, o candidato de direita brasileiro derrotado neste domingo por Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje que contestará o resultado e pedirá a anulação das eleições. "O que aconteceu hoje não foi normal; as eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer essas eleições; vamos pedir a anulação das eleições", disse Bolsonaro durante um breve e apaixonado discurso em Brasília.

Lula venceu neste domingo com 51,78% dos votos contra 48,22% de Bolsonaro, após ter perdido o primeiro turno há três semanas por 47% a 45%. Não havia precedente na atual era democrática brasileira de um candidato derrotado no primeiro turno vencer no segundo. "Não aceitarei que as regras do jogo sejam mudadas durante a partida", acrescentou o senador, que ficará sem cargo público pela primeira vez em 24 anos. "O que aconteceu é inexplicável", insistiu. A reação de Bolsonaro vem após um dia caótico em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no último minuto, estender o horário de votação em duas horas, a pedido tanto do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula quanto do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro. O mau tempo em grande parte do país e as dificuldades de transporte em diversos estados se combinaram para levar ambos os partidos a exigir a prorrogação.

A decisão de Cristiano Zanin, membro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-advogado de Lula, foi anunciada após o fechamento das urnas, depois das 17h (21h na Espanha). A votação continuou em algumas seções eleitorais devido às longas filas, mas a maioria foi fechada, pois não havia mais eleitores aguardando. Câmeras de televisão registraram reclamações de inúmeros cidadãos que chegaram para votar e encontraram as seções eleitorais fechadas. "Tentei votar duas vezes e não consegui", lamentou uma mulher. A Rede Globo revelou detalhes do evento sem precedentes na atual era democrática do Brasil, que começou em 1985: "A equipe de Lula apresentou a denúncia às 13h30 ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)." Sem obter resposta, às 15h, encaminhou a denúncia ao STF (Tribunal Federal de Sentenças).

Edson Fachin, presidente do STF, recebeu a denúncia e levou uma hora e meia para decidir quem a analisaria. "A ordem para que o caso fosse aceito chegou a Zanin às 16h32".

A reação apaixonada do candidato derrotado, que se pronunciou logo após o discurso de vitória de Lula, foi recebida com desaprovação pela influente Rede Globo: "É evidente que Flóvio Bolsonaro não está em condições de liderar a oposição democrática neste país."

Lucas Pavanato, um dos membros mais radicais do Partido Liberal (PL), convocou protestos nas ruas para rejeitar o resultado, que na noite de domingo estava sendo comemorado em massa pelos apoiadores de Lula nas principais cidades do país. Em seu discurso, Lula se referiu ao seu rival como um "mentiroso" e mencionou especificamente a interferência de tecnocratas nas eleições do quinto maior país do mundo. "Nesta eleição, tivemos que lutar contra a interferência externa por meio de plataformas digitais. Teremos que regulamentá-las. O crime no mundo digital deve ser tratado da mesma forma que o crime no mundo real. Não se pode ter empresas monstruosas lucrando bilhões, sem pagar impostos nesse país, e tentando alterar os resultados das eleições. Esta eleição foi uma derrota para o negacionismo, uma derrota para as mentiras", concluiu o presidente, que governará dos 81 aos 85 anos até 2031.

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