
Autoridades americanas suspeitam que hackers ligados ao Irã estejam por trás de uma série de ciberataques que tiveram como alvo freezers em bases militares por todo o país, causando seu mau funcionamento, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto.
As interrupções afetaram cerca de seis comissariados, os supermercados dentro das bases militares que atendem o pessoal militar. As pessoas falaram sob condição de anonimato para comunicar informações sensíveis sobre as interrupções, que começaram por volta do final de agosto.
Não está claro exatamente como os cibercriminosos podem ter acessado os sistemas dos congeladores, embora várias vulnerabilidades digitais relacionadas aos controles dos congeladores possam expor o equipamento a ataques e sabotagens. É possível que as avaliações mudem à medida que os investigadores obtenham mais informações sobre os ataques.
Os ataques, se confirmados como sendo de autoria do Irã, demonstrariam a capacidade do país de interromper o funcionamento de certos equipamentos militares dentro dos Estados Unidos por meios cibernéticos, e ocorrem em um momento em que o governo Trump estaria planejando novos ataques ao Irã após as eleições de meio de mandato nos EUA na próxima semana.
A atribuição também se encaixaria em um padrão mais amplo de suspeita de atividade iraniana contra equipamentos que controlam processos de tratamento de água nos últimos meses.
O Irã já realizou ataques cibernéticos em campanhas eleitorais. Durante a campanha presidencial de 2024, autoridades americanas atribuíram o roubo de material de campanha de Trump a Teerã.
O Comando Cibernético e diversas unidades policiais do Departamento de Defesa estão investigando os incidentes com os congeladores. As autoridades francesas também estão colaborando com os responsáveis pela apuração do caso. No início deste mês, hackers burlaram os controles de temperatura de equipamentos de refrigeração comercial em cerca de 350 estabelecimentos franceses, obrigando supermercados a descartar alimentos estragados.
A investigação chama a atenção para os computadores que controlam os equipamentos de uso diário para armazenar e manusear alimentos, uma área da cibersegurança frequentemente negligenciada, onde um ataque cibernético pode comprometer o abastecimento ou interromper a distribuição de mercadorias.
O Centro de Análise e Compartilhamento de Informações sobre Alimentos e Agricultura (Food and Agriculture Information Sharing and Analysis Center), um grupo do setor que compartilha informações sobre ameaças cibernéticas ao abastecimento alimentar do país, alertou que os invasores podem ter como alvo controles industriais acessíveis pela internet que podem não possuir defesas cibernéticas ideais.
