
Lula abriu os discursos dos chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU e durante seu discurso falou sobre soberania brasileira e eleições de outubro.
Sem citar os Estados Unidos diretamente, afirmou que a América Latina voltou a enfrentar "ingerência externa em processos eleitorais" e declarou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém".
A eleição também entrou no discurso. Para Lula, os brasileiros decidirão entre "democracia e negacionismo." Ele ainda acusou atores políticos de se associarem a interesses estrangeiros contrários ao país.
Tarifas usadas como instrumento de "coerção e chantagem" foram criticadas, assim como pressões sobre o PIX e os minerais estratégicos brasileiros.
No combate ao crime organizado, Lula afirmou ter entregue aos Estados Unidos uma proposta de cooperação contra lavagem de dinheiro, mas rejeitou qualquer ideia de terceirizar a defesa das fronteiras.
Falou ainda sobre Gaza, Ucrânia, mudanças climáticas e regulação da inteligência artificial. O Brasil foi o primeiro país a discursar, tradição mantida na Assembleia-Geral desde 1955.
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Meus cumprimentos ao Presidente da Assembleia Geral, Embaixador Khalilur Rahman, de Bangladesh.
Saúdo cada um dos Chefes de Estado e de Governo e delegadas e delegados presentes.
Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres foi testemunha direta dos crescentes desmandos das superpotências.
Esta é a décima ocasião em que abro o Debate Geral desta Assembleia.
Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas.
A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.
Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez.
A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais.
Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir.
Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo.
A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política.
Em um mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade.
Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade.
Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome.
Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas.
Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Aprovou a representação mais precisa do mapa-múndi.
Agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade.
Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista.
Yasser Arafat e Yitzahk Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz.
Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.
