
Lula voltou à ONU para vender ao mundo a imagem de um Brasil protagonista, defensor da democracia e da soberania. Mas, dentro e fora do plenário, ficou evidente uma pergunta: entre o discurso e a realidade, qual país o brasileiro enxerga?
De fato, a fala presidencial trouxe velhos temas: defesa do multilateralismo, críticas às grandes potências e soberania nacional. O problema é que o brasileiro comum não vive de discursos internacionais. Vive de segurança, custo de vida, serviços públicos eficientes e da sensação de que o Estado funciona.
Nesse contexto, o governo federal atual chega ao período eleitoral carregando desgastes. Prometeu reconstrução, mas enfrenta críticas relacionadas ao aumento da percepção de insegurança, às dificuldades econômicas, aos gastos públicos, à pressão fiscal e a uma distância cada vez maior entre a propaganda oficial e a experiência cotidiana de parte da população.
Vale lembrar que Lula já havia chamado Rubio de "latino frustrado." Rubio, por sua vez, fez críticas ao governo brasileiro em meio às tensões comerciais e diplomáticas. O gesto na ONU virou símbolo de uma relação ineficiente e de uma diplomacia que, para muitos comentaristas políticos, parece mais preocupada com narrativas eleitorais do que com resultados.
Ainda assim, o Brasil não precisa apenas de frases de efeito em palcos internacionais. Necessitamos de respostas concretas para velhos problemas. Afinal, nenhum discurso na ONU apaga a realidade de quem enfrenta dificuldades todos os dias aqui.
Por fim, a avaliação mais importante de um governo não acontece nos salões diplomáticos, mas nas ruas. É no cotidiano da população que se medem resultados e insatisfações. E o movimento antilula não irá se submeter ao discurso antiamericano adotado por Lula.
Alô, "presidente"! O povo está preocupado com comida no prato, não com os seus vexames nos EUA.
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
4 Na ONU, Lula alfineta EUA: 'Brasil não cabe no quintal de ninguém'
