
A poucas semanas da votação, a campanha do candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, está sendo abalada por revelações de que ele está sendo investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação se concentra no financiamento solicitado para um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme mostram documentos judiciais divulgados na sexta-feira.
O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, principal adversário de direita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do próximo mês, está sendo investigado por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro ligados ao falido Banco Master, segundo documentos judiciais divulgados nesta sexta-feira.
A investigação contra o senador, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi aberta em julho pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, indicado por Bolsonaro e recentemente aclamado como herói por muitos na direita brasileira, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro.
O desenvolvimento pode abalar ainda mais uma corrida presidencial já instável, com diversas pesquisas de opinião mostrando Flávio Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados em um segundo turno simulado.
O juiz abriu a investigação a pedido da polícia federal como parte de uma investigação mais ampla sobre o banco falido. Mas os detalhes da investigação só vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal, Edson Fachin, ordenou a divulgação dos autos do processo relacionados ao caso Banco Master na noite de quinta-feira.
Mendonça atendeu ao pedido de Fachin, liberando milhares de páginas de registros judiciais.
Mais detalhes e as implicações mais amplas dos documentos recentemente divulgados não ficaram imediatamente claros, já que partes do caso, incluindo detalhes da investigação contra o senador Bolsonaro, permanecem em sigilo enquanto a polícia continua investigando.
As instituições brasileiras foram abaladas pelas consequências da crescente investigação e das supostas ligações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e funcionários do Banco Central, membros do alto escalão do governo, políticos da oposição e ministros do Supremo Tribunal Federal.
A investigação surge do financiamento do filme

A investigação contra Flávio Bolsonaro surge de questionamentos sobre um investimento que ele supostamente solicitou a Vorcaro, dono do Banco Master, para ajudar a financiar "Cavalo Negro", um filme sobre seu pai estrelado pelo ator americano Jim Caviezel.
Flavio afirmou na sexta-feira que "não tinha nada a esconder" e insistiu que o financiamento do filme era "completamente legal".
Em maio, surgiram questionamentos sobre o financiamento do filme, levando o senador a admitir ter buscado apoio financeiro de Vorcaro, embora negasse qualquer irregularidade. As revelações lhe custaram apoio nas pesquisas de opinião da época.
Os documentos que foram liberados mostram que a Polícia Federal solicitou, então, uma investigação, autorizada pelo Ministério Público Mendonça, para apurar se o senador Bolsonaro cometeu lavagem de dinheiro, câmbio ilícito e corrupção.
A polícia citou doações feitas por Vorcaro, que foi preso em março, para o filme como justificativa para a abertura da investigação.
O senador afirmou repetidamente que suas negociações com o banqueiro foram estritamente privadas e não relacionadas aos assuntos investigados pela polícia federal.
Crise na Suprema Corte

Os novos acontecimentos intensificam uma crise que abala o Brasil, em um momento em que os eleitores entram em uma campanha eleitoral invulgarmente acirrada, em que qualquer desenvolvimento importante poderá inclinar a balança a favor do esquerdista Lula ou de Bolsonaro.
Fachin procurou resolver um conflito público entre os juízes Mendonça e Alexandre de Moraes, que também foi mencionado na investigação do Banco Master, conflito que mergulhou o tribunal em uma de suas crises internas mais graves em décadas.
Mendonça tornou públicos documentos da investigação no início deste mês, incluindo dezenas de mensagens que, segundo a polícia, Vorcaro enviou a Moraes. As revelações suscitaram pedidos de uma investigação sem precedentes contra um juiz do Supremo Tribunal Federal, devido a alegações de que Moraes atuou como conselheiro do banqueiro.
Moraes, em resposta, acusou Mendonça de abuso de autoridade.
Fachin agendou uma sessão plenária para terça-feira, quando se espera que o colegiado de 10 juízes discuta as alegações referentes ao relacionamento de Moraes com Vorcaro.
'Revele tudo', diz Lula
Os apoiadores do senador Bolsonaro tentaram ligar Lula a Moraes, que processou o ex-presidente Bolsonaro por um suposto plano de golpe de Estado em 2023 e conseguiu sua condenação no ano passado.
Durante as manifestações do Dia da Independência em São Paulo, na segunda-feira, um balão inflável gigante representando Mendonça se destacava sobre a multidão reunida para apoiar a campanha de Bolsonaro.
