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Especialistas defendem cuidado na regulação de redes para não comprometer liberdade de expressão

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 3 min de leitura
Especialistas defendem cuidado na regulação de redes para não comprometer liberdade de expressão
Audiência Pública - Regulação de redes sociais com foco em moderação de conteúdo e remoção de contas de usuários. Diretor do Instituto Sivis, Jamil Assis. Diretora Executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci. Presidente do Conselho de Comunicação Social, Patricia Blanco.

Em audiência pública do Conselho de Comunicação Social do Congresso nesta segunda-feira (14), o diretor do Instituto Sivis, Jamil Assis, sustentou que, ao contrário do que possa parecer, a internet no Brasil não é "terra de ninguém." O especialista ressaltou que a legislação criminal vale também para as redes. Além disso, lembrou que já existem várias leis e regulamentos específicos em vigor, como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) e o marco civil da internet.

Na opinião de Jamil Assis, é imprudente "empilhar restrições" sobre um ambiente que ainda é pouco conhecido, porque isso poderia colocar em risco a liberdade de expressão. De acordo com ele, levantamento realizado pelo Instituto Sivis apontou que a população não entende o conceito de liberdade de expressão e boa parte já pratica a autocensura, o que poderia piorar com o excesso de regulação das redes.

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Segundo Assis, "38% dos brasileiros já se calam em conversas políticas dentro da própria família pelo menos uma vez por mês, e um em cada três brasileiros, no último ano, sentiu medo de ser prejudicado por autoridades por criticar políticas, agentes públicos, chegando a 36% em alguns grupos políticos". "Então, o silêncio já começou antes mesmo de passarem as leis, né? As pessoas já têm medo de se expressar", apontou.

Jamil Assis defende que o melhor caminho para aprimorar o ambiente digital seria cobrar autorregulação das plataformas. Ele também propõe que as empresas de tecnologia ofereçam opções para os próprios usuários apresentarem argumentos contrários em publicações, como forma de ampliar o debate.

A diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci, concorda que o Brasil avançou em legislação para a internet e citou como exemplos o marco civil da internet e o ECA Digital. Ela também ressaltou os riscos do excesso de rigor para a liberdade de expressão.

No entanto, a especialista ressalta que a legislação tem de garantir a transparência no processo de moderação das plataformas. Um aspecto importante, segundo ela, é prever aspectos como auditorias para verificar se as empesas têm estrutura adequada para garantir a integridade do processo de acompanhamento e remoção de conteúdo.

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Só vai funcionar se tiver transparência real. Na prática, os termos das plataformas são genéricos demais. Isso deixa um limbo, tanto para usuário quanto para o moderador, do que pode ou que não pode. A ausência de regras também favorece essa remoção excessiva”, afirmou.

Remoção de conteú

O representante da ONG Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), Alexandre Arns Gonzales, destacou que a moderação privada das plataformas pode restringir quem tem direito a voz nas redes. Ele também defende que a legislação deve prever regras claras sobre o processo de remoção de conteú. Para Gonzales, sempre que uma publicação for removida da página, a empresa deve informar ao autor sobre o motivo da retirada e oferecer um canal para apelação. Além disso, ele defende a definição legal de prazos para as plataformas avaliarem as apelações dos usuários.

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A presidente do conselho, Patrícia Blanco, afirmou que as contribuições apresentadas poderão subsidiar a análise de propostas relacionadas ao tema pelo Congresso. Segundo ela, a legislação deve conciliar o combate ao discurso de ódio, à intolerância e à desinformação com a preservação da liberdade de expressão.

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