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Data centers nos EUA consumirão mais gás que Japão e Alemanha juntos

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 3 min de leitura
Data centers nos EUA consumirão mais gás que Japão e Alemanha juntos

Data centers nos Estados Unidos podem chegar a utilizar mais gás natural do que o total do consumo combinado do Japão e da Alemanha. É o que afirma estudo da BloombergNEF, grupo de pesquisa parceiro da Bloomberg, especializado em economias de baixo carbono.

O grupo projeta que os EUA devem queimar 18 bilhões de pés cúbicos por dia até 2035. O montante é superior ao consumo atual da Alemanha e do Japão, cerca de 15 bilhões de pés cúbicos diariamente.

A fonte de energia é preferida para esses empreendimentos por gigantes da tecnologia, como Meta, Google, Microsoft e Amazon. O gás natural é uma maneira de garantir o que agentes do setor chamam de flexibilidade, ou seja, capacidade de manter o fornecimento de energia constante e ininterrupto para compensar a intermitência de fontes renováveis, como a solar e a eólica.

Data centers precisam operar 24 horas por dia para sustentar sistemas de processamento de dados e ferramentas de inteligência artificial. Junto a essa infraestrutura, empresas de tecnologia estão construindo suas próprias usinas termelétricas movidas a gás. Em alguns casos, combinam diversas fontes de energia.

O papel do gás natural é sempre manter a estabilidade. É o caso, por exemplo, do Meitner Energy Center, projeto que terá uma potência instalada de 1 GW para abastecer data center no Texas e que combina energia termelétrica com solar e eólica.

DEBATE NO BRASIL

Esse mesmo dilema sobre a matriz energética da infraestrutura digital chegou ao Brasil e centraliza-se na regulamentação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), programa recém-sancionado que concede benefícios fiscais ao setor.

Originalmente, o texto aprovado na Câmara dos Deputados exigia que 100% da demanda elétrica dos data centers beneficiados fosse atendida por fontes limpas ou renováveis. No entanto, uma alteração feita durante a tramitação no Senado flexibilizou as regras para incluir fontes de baixa emissão“, abrindo uma brecha legal para a utilização do gás natural.

A adoção do combustível conta com a defesa pública do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Atualmente, o MME (Ministério de Minas e Energia) atua junto a outras áreas do governo para garantir que a portaria interministerial, responsável por definir as regras finais do programa, autorize formalmente o gás natural no Redata.

Como justificativa, Silveira chegou a citar o próprio cenário norte-americano, destacando que os Estados Unidos estão desenvolvendo 6,5 GW de geração termelétrica a gás especificamente para atender a essa nova demanda tecnológica.

Para o MME e associações do setor, o gás atua como um importante combustível de transição. O argumento é que, ao assegurar um fornecimento firme que complementa a imprevisibilidade das fontes renováveis, o insumo confere a segurança e a previsibilidade necessárias para atrair pesados investimentos internacionais.

A flexibilização, contudo, divide opiniões e encontra resistência. Críticos argumentam que a inclusão de fontes não renováveis vai na contramão das metas de descarbonização do país. Apesar de ser significativamente menos poluente do que outros combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, a queima de gás natural emite gases do efeito estufa.

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