Determinação Presidencial dos EUA para 2027: lista de grandes países produtores de drogas é atualizada e traz novas abordagens no combate ao narcotráfico
Em 15 de setembro de 2026, o presidente Donald J. Trump submeteu ao Congresso norte-americano a determinação presidencial referente ao ano fiscal de 2027, identificando os países considerados grandes produtores ou rota de trânsito de drogas ilícitas. O documento, publicado pelo Gabinete do Porta-Voz na data seguinte, traz uma lista de 23 nações e revela mudanças significativas na postura diplomática e estratégica dos Estados Unidos em relação ao narcotráfico global.
Os países que constam na lista
A determinação identifica como grandes produtores ou países de trânsito de drogas ilícitas as seguintes nações: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
Vale destacar que uma presença nessa lista não significa, necessariamente, que o governo correspondente esteja falhando no combate ao narcotráfico. Conforme a legislação norte-americana — especificamente a Lei de Assistência Externa de 1961 —, fatores geográficos, comerciais e econômicos podem colocar um país na lista mesmo quando ele adota medidas rigorosas de fiscalização e repressão ao tráfico.
Quem falhou comprovadamente?
Dentre os 23 países listados, quatro foram designados como tendo "falhado comprovadamente" nos esforços antidrogas nos 12 meses anteriores: Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia. Trata-se de uma classificação pesada, prevista na Seção 706(2)(A) da Lei de Autorização de Relações Exteriores (FRAA), e que carrega implicações diplomáticas e possíveis sanções.
Mesmo assim, o presidente determinou, com base na Seção 706(3)(A), que a assistência dos Estados Unidos à Bolívia, à Birmânia e à Colômbia permanece "vital para os interesses nacionais" norte-americanos, o que indica um equilíbrio entre pressão e cooperação.
Vitórias e avanços elogiados pela Casa Branca
O documento destaca com entusiasmo o que a administração Trump classifica como "progressos históricos" no enfrentamento ao narcotráfico. Entre os pontos levantados, estão a redução superior a 50% nas apreensões de fentanil e outras drogas contrabandeadas, a queda nas mortes por overdose e o fortalecimento da fronteira sul.
A chamada Americas Counter Cartel Coalition, uma aliança envolvendo mais de uma dúzia de países do Hemisfério Ocidental, é apresentada como um dos pilares dessa estratégia. Segundo o documento, a coalizão proporcionou resultados expressivos, incluindo a redução dos fluxos de drogas direcionados aos Estados Unidos e o congelamento de bilhões de dólares em recursos financeiros ilícitos de cartéis.
Venezuela: uma virada surpreendente
Uma das mudanças mais notáveis na determinação diz respeito à Venezuela. O documento informa que, após a prisão e o afastamento de Nicolás Maduro — descrito como "ex-ditador ilegítimo e traficante" —, a Venezuela passou a cooperar de forma crescente com os Estados Unidos por meio de seu governo interino, liderado pela presidente Delcy Rodríguez.
Entre os resultados citados está a eliminação de Niño Guerrero, líder do grupo criminoso Tren de Aragua. Em razão dessas medidas positivas, a Venezuela deixou de ser classificada como tendo "falhado comprovadamente" no cumprimento de suas obrigações de controle de drogas — uma mudança relevante em relação a determinações anteriores.
Bolívia: novo governo, novas expectativas
A determinação reconhece a mudança política ocorrida na Bolívia após as eleições de 2025, que levou Rodrigo Paz à presidência. Após décadas de governos socialistas, o país sul-americano retomou a coordenação policial com os Estados Unidos e protagonizou a extradição do narcoterrorista Sebastián Marset em março de 2026, gesto celebrado pela Casa Branca como um marco na cooperação bilateral.
No entanto, o presidente Trump alertou que o cultivo de coca, que cresceu sob o governo anterior, ainda não foi reduzido de forma significativa, e que a corrupção endêmica continua a ser um obstáculo. Caso a Bolívia demonstre avanços concretos nos próximos meses, o presidente sinalizou que poderá reconsiderar a designação de "falha comprovada" do país.
Colômbia: aposta no novo presidente
A eleição de Abelardo de la Espriella para a presidência da Colômbia é tratada como uma oportunidade de virar a página. Segundo o documento, o novo líder prometeu conduzir uma ofensiva contra o cultivo de coca e a produção de cocaína, que teriam atingido níveis recordes sob o governo anterior, de orientação socialista.
A administração Trump demonstra confiança de que a Colômbia retomará seu papel como principal parceira de segurança no hemisfério, embora o estatuto de "falha comprovada" permaneça vigente até que resultados concretos sejam apresentados.
México e Canadá: pressão dos dois lados da fronteira
O documento faz cobranças diretas tanto ao México quanto ao Canadá. Em relação ao México, embora reconheça os esforços da presidente Sheinbaum — como a apreensão de maiores volumes de drogas e o desmantelamento de laboratórios clandestinos —, o texto exige medidas adicionais, como o fortalecimento da integridade da cadeia de suprimentos e um investimento muito maior nas forças de segurança mexicanas. A necessidade de expor e processar funcionários públicos corruptos que colaboraram com os cartéis também é enfatizada.
Quanto ao Canadá, a situação é descrita com preocupação: laboratórios clandestinos de fentanil continuam operando em território canadense, e precursores químicos e drogas sintéticas seguem entrando nos Estados Unidos pela fronteira norte. O documento exige que Ottawa desmantele esses laboratórios, reforce a segurança da cadeia de suprimentos e combata as redes criminosas e gangues chinesas que atuam na região.
China (RPC): a origem dos precursores químicos
A República Popular da China é apontada como a maior produtora mundial de muitos dos precursores químicos utilizados na fabricação ilegal de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas. O presidente Trump relata ter abordado diretamente o tema com Xi Jinping e reconhece que Pequim implementou, a pedido dos EUA, exigências de licenciamento para exportação de determinados precursores químicos para a América do Norte.
Contudo, criminosos encontram formas de burlar esses controles ao utilizarem precursores químicos não regulamentados. O documento exige que a China amplie o agendamento de substâncias controladas e facilite a identificação e punição dos responsáveis pelo fornecimento de precursores mortais a traficantes.
Birmânia e Afeganistão: cenários persistentes
A Birmânia continua sendo identificada como a maior fonte global de papoula do ópio e uma das maiores fornecedoras de metanfetamina, com o regime militar acusado de não tomar medidas efetivas contra a economia das drogas no país.
O Afeganistão, por sua vez, segue abastecendo mercados internacionais de drogas, apesar da proibição anunciada pelo Talibã sobre o cultivo de papoula. O documento sugere que os lucros do narcotráfico no país provavelmente financiam o terrorismo islâmico, o que torna a situação ainda mais grave.
Brasil: cobrada ação contra o PCC e o Comando Vermelho
Num dos trecho mais incisivos do documento, o presidente Trump direciona críticas ao Brasil. O texto afirma que o governo brasileiro "não conseguiu enfrentar" as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que teriam transformado o Brasil em um polo de distribuição de fluxos globais de cocaína.
A determinação classifica essas organizações como uma "ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo" e exige que o governo brasileiro adote "medidas agressivas" para confrontá-las e derrotá-las antes que se expandam ainda mais.
Nicarágua: governo Ortega-Murillo sob suspeita
O regime nicaraguense de Daniel Ortega e Rosario Murillo também é mencionado negativamente. O documento não se furta a classificá-lo como uma "ditadura socialista" que falhou em tomar medidas suficientes contra o narcotráfico, apontando cumplicidade de atores do regime no tráfico de drogas.
O panorama do narcotráfico global em 2027
A determinação presidencial revela um cenário complexo e em transformação. De um lado, há uma postura de confronto direto com organizações narcoterroristas, uso das forças armadas e cooperação multilateral por meio de alianças como a Americas Counter Cartel Coalition. De outro, existem concessões e reconhecimentos diplomáticos para países que demonstram vontade política de mudar, como é o caso da Venezuela e da Bolívia.
O documento também evidencia que a luta contra o narcotráfico não se limita à repressão nas fronteiras dos Estados Unidos. A exigência de que a China regule melhor sua indústria química, que o México invista mais em suas forças de segurança e que o Brasil enfrente suas organizações criminosas internas demonstra que a estratégia norte-americana busca atacar o problema em múltiplas frentes simultaneamente.
Resta saber como os países envolvidos responderão a essas determinações e se as pressões diplomáticas resultarão em mudanças reais no fluxo de drogas ilícitas ao redor do mundo.
