
A milícia Houthi tomou o controle de uma ilha estratégica no Mar Vermelho, disseram dois funcionários do governo iemenita na sexta-feira, dando ao aliado iraniano uma posição estratégica em um ponto crucial para o comércio global.
A captura da Ilha de Perim permite aos Houthis exercer maior controle sobre os embarques de energia através do Mar Vermelho, o que pode pressionar ainda mais o preço do petróleo e do gás.
O Mar Vermelho tornou-se cada vez mais importante para os mercados de energia desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em fevereiro.
A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, normalmente transporta seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, a via navegável que liga o Golfo Pérsico aos oceanos do mundo, mas o Irã, o fechou efetivamente desde os primeiros dias da guerra com os Estados Unidos.
O reino passou a utilizar o Mar Vermelho como principal meio de exportação de petróleo, mas, nos últimos dois meses, o aumento das tensões com os houthis interrompeu essa rota.
A ilha de Perim, conhecida localmente como Mayyun, situa-se no Estreito de Bab el-Mandab, na extremidade sul do Mar Vermelho. A sua captura ocorreu após dias de intensos combates terrestres entre os houthis e as forças aliadas ao governo internacionalmente reconhecido, apoiado pela Arábia Saudita.
Não ficou claro exatamente quando os houthis chegaram à ilha de Perim. As autoridades iemenitas falaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizadas a falar com a imprensa. Um porta-voz do governo iemenita não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Mohammed al-Bukhaiti, um oficial político Houthi, recusou-se a comentar se o grupo havia tomado o controle da Ilha de Perim, afirmando que um comunicado seria divulgado em breve.
Os dois lados estão em guerra desde 2014, quando os houthis tomaram a capital do Iêmen, Sanaa. Logo depois, uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita iniciou uma campanha de bombardeios para tentar restaurar o governo ao poder, mergulhando a nação empobrecida em uma guerra devastadora. Uma trégua frágil, alcançada em 2022, desmoronou nos últimos meses.
Desde que os combates se intensificaram drasticamente no Iêmen na semana passada, pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, um órgão das Nações Unidas.
Na sexta-feira, a emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis, informou que a Arábia Saudita havia lançado dois ataques aéreos contra Mokha, uma cidade portuária estratégica no Mar Vermelho que os houthis haviam capturado um dia antes. O governo saudita não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen no International Crisis Group, afirmou que a tomada da Ilha de Perim pelos houthis foi um "divisor de águas", permitindo ao grupo desestabilizar com mais facilidade a navegação no Mar Vermelho.
No passado, eles criavam incerteza, mas estavam a cerca de 90 quilômetros de Bab al-Mandab”, disse ele. “Agora, eles controlam tudo ao redor de Bab al-Mandab, a terra e as ilhas.”
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores, ligado aos Houthis, afirmou que o grupo "não representará uma ameaça" e que está "preparado para fazer parte da estrutura de segurança regional, particularmente no que diz respeito à proteção da navegação marítima".
Em julho, a milícia declarou um bloqueio aos petroleiros sauditas que transitavam pelo Mar Vermelho e lançou ataques com mísseis e drones contra navios e instalações sauditas a partir de seu território no norte do Iêmen.
