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Sapu-sapu, este é o peixe invasor que está colonizando as águas poluídas do Sudeste Asiático.

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 3 min de leitura
A disseminação do sapu-sapu nas Filipinas, Indonésia, Tailândia e Bangladesh foi associada à sua soltura a partir de aquários (Imagem ilustrativa Infobae).
A disseminação do sapu-sapu nas Filipinas, Indonésia, Tailândia e Bangladesh foi associada à sua soltura a partir de aquários (Imagem ilustrativa Infobae).

A disseminação do sapu-sapu, um peixe invasor capaz de sobreviver em águas tóxicas, está causando alarme em diversos cursos d'água do Sudeste Asiático, onde essa espécie encontra condições favoráveis em ambientes degradados pela poluição. Segundo o GEO, sua presença está crescendo em rios e canais de países como Filipinas, Indonésia, Tailândia e Bangladesh, após terem sido soltos na natureza por aquaristas que os mantinham em aquários. Sua popularidade em aquários está relacionada à sua capacidade de limpar algas, embora essa mesma popularidade tenha facilitado sua introdução fora de seu habitat natural. O nome sapu-sapu engloba diversas espécies de bagres do gênero Pterygoplichthys, nativas da América do Sul. O apelido vem da escova tradicional filipina "sapu-sapo" e se refere à maneira como esses peixes raspam as superfícies com sua boca em forma de ventosa.

Sua expansão se explica por uma combinação de resistência fisiológica, reprodução abundante e capacidade de adaptação a ecossistemas altamente alterados. Uma espécie adaptada a condições extremas. Algumas espécies deste grupo conseguem absorver ar subindo frequentemente à superfície, uma característica que compensa a falta de oxigênio dissolvido na água. Essa vantagem permite que habitem canais com altos níveis de lama, bactérias e poluentes orgânicos. Toleram também altas concentrações de amônia e variações significativas de temperatura e salinidade. Além disso, são predadores oportunistas: consomem algas e resíduos orgânicos presentes em águas poluídas, acessando facilmente os recursos disponíveis em ambientes empobrecidos.

A rapidez de sua reprodução reforça ainda mais essa expansão: uma fêmea pode depositar milhares de ovos por ano, geralmente em tocas escavadas nas margens, onde permanecem protegidos até a eclosão. Um impacto difícil de conter. Outro fator que dificulta seu controle é sua constituição física, já que seus corpos são cobertos por placas ósseas duras que desencorajam muitos predadores, enquanto suas nadadeiras espinhosas dificultam a captura. A proliferação desses peixes tem consequências ecológicas: ao escavarem as margens dos rios para se reproduzir, enfraquecem o solo e aceleram a erosão fluvial. Em algumas áreas, esse processo leva a deslizamentos de terra que chegam a afetar áreas agrícolas próximas. Pesquisadores também observam efeitos sobre organismos nativos, já que o peixe invasor consome os ovos de vários peixes de água doce e compete por recursos utilizados pelas espécies locais.

Nas Filipinas, pescadores também relatam um impacto econômico direto: os peixes frequentemente danificam as redes devido à rigidez de seus espinhos e deslocam peixes comerciais mais valiosos, pois seu preço de mercado é baixo e eles também não são adequados para consumo. Traços de chumbo, mercúrio e bactérias E. coli foram detectados nesses peixes acima dos limites de segurança, uma descoberta que limita ainda mais seu uso potencial. Vários países estão tentando conter a invasão por meio da pesca intensiva, embora até agora sem sucesso. Um caso recente ocorreu em Jacarta, onde moradores, trabalhadores de saneamento, funcionários do Ministério da Pesca e soldados participaram de uma operação para removê-los dos rios ao sul da capital indonésia. De acordo com a AFP, cerca de 5,3 toneladas foram removidas naquela área ao longo de duas semanas.

Os animais foram capturados com redes; espécies nativas foram devolvidas à água e os espécimes invasores foram decapitados e enterrados. Esse procedimento gerou críticas de alguns ativistas dos direitos dos animais, que sugeriram usar as peles para fabricar artigos de couro e transformar o restante em fertilizante ou alimento para outros organismos.

Especialistas enfatizaram a necessidade de limitar a introdução de variedades exóticas, já que essa prática é uma das principais causas de invasões biológicas em todo o mundo.

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