
Quase no final de seu livro sutilmente perspicaz sobre arte em tempos de guerra, Charlotte Higgins relata uma visita de outono a Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, no nordeste do país, a uma curta distância da fronteira russa. Em um parque tranquilo, ela vê um homem em um riacho, equilibrando pedras umas sobre as outras em uma torre instável – “um método de vida naquela cidade”, escreve ela, “que pareceria óbvio demais para um romance”. Ainda assim, como uma boa romancista faria, Higgins não parece implorar por detalhes reveladores de um lugar, mas sim tê-los saltando aos seus olhos e ouvidos atentos. Os desenhos animados que um menino assiste, que se calam com um apagão, permitindo que o estrondo distante das explosões na linha de frente seja ouvido.
Uma paisagem urbana tatuada no braço de um jovem poeta que termina abruptamente onde a pele de sua perna foi enxertada após ele ter sido atingido por estilhaços. Cataratas de esporinha, como Higgins as descreve, em um campo na região de Donbas, na linha de frente, “descendo a colina, acumulando-se na parte inferior em um grande lago de flores… A esporinha prospera em terrenos onde houve perturbações recentes.”