
Os preços do petróleo voltaram a subir acima de US$ 90 por barril em meio à deterioração das perspectivas de trânsito pelo Estreito de Ormuz, já que os Estados Unidos e o Irã permanecem incapazes de chegar a um acordo para normalizar a passagem de navios. A renovada escalada diplomática aumentou o risco de interrupções em um dos corredores energéticos mais importantes do mundo e elevou o prêmio de risco incorporado aos preços. O petróleo Brent para entrega em outubro fechou o dia a US$ 90,87, alta de 2,66%. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana para setembro, subiu 2,55%, para US$ 84,50. A atenção está voltada para a continuidade do trânsito e o risco de interrupções. O estreito conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto e é uma via navegável vital para os países produtores de petróleo da região.
Portanto, qualquer ameaça à sua operação pode afetar as expectativas de oferta, mesmo antes que ocorra uma interrupção física significativa. A incerteza é ampliada pela dificuldade em mensurar o número de carregamentos que conseguem passar pelo estreito. Essa preocupação refletiu-se nas declarações do Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, que afirmou que as escoltas militares permitem a passagem diária de entre oito e nove milhões de barris de petróleo pelo estreito. A situação diplomática também não oferece sinais claros de alívio. O presidente Donald Trump ameaçou atacar Omã caso acredite que o país esteja obstruindo os esforços dos EUA para reabrir a rota marítima. "Se Omã entrar no caminho, nós os bombardearemos", disse Trump, em um aviso direcionado a um país que mantém contatos com o Irã.
Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, afirmou que o prazo de 60 dias estipulado no acordo entre Washington e Teerã não era mais válido devido às ações dos EUA. A falta de progresso prolonga a pressão sobre os preços. David Morrison, analista da Trade Nation, resumiu o efeito sobre os investidores, observando que "o impasse diplomático entre Washington e Teerã sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz manteve os preços do petróleo bruto em alta". Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management, acrescentou que existe um debate sobre se o mercado está subestimando a quantidade de petróleo que conseguiu sair do Oriente Médio. Wall Street fechou em queda. Wall Street também sentiu o impacto, embora o petróleo não tenha sido o único fator.
Os principais índices dos EUA fecharam em baixa, com o rendimento do título do Tesouro de 30 anos atingindo 5,31%, seu nível mais alto desde 2007. A alta dos rendimentos encarece o crédito e reduz o apelo relativo das ações, especialmente quando coincide com uma alta nos preços da energia. O S&P 500 perdeu 0,5% em uma sessão marcada por menor apetite por ativos de risco. Patrick O’Hare, analista da Briefing.com, explicou que “quando você tem um movimento como esse no petróleo e nas taxas de juros, isso tende a se tornar uma barreira” para a tomada de riscos. Os investidores também aguardam os balanços das principais varejistas americanas esta semana. Esses números podem oferecer pistas sobre o consumo e a inflação, variáveis relevantes para as expectativas de taxas de juros. Na Europa, as bolsas de valores de Londres, Paris e Frankfurt também fecharam em baixa.
Na Ásia, no entanto, vários mercados avançaram, impulsionados por empresas de tecnologia, enquanto Tóquio foi beneficiada pela forte valorização da Kioxia.