
A presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Annalena. Baerbock, está enfrentando resistência em suas tentativas de tornar a seleção do próximo Secretário-Geral mais democrática e transparente.
Os Estados Unidos e a Rússia estão incomodados com a crescente interferência da Assembleia Geral: em uma rara demonstração de união, os dois países acusam a ex-ministra das Relações Exteriores da Alemanha (Partido Verde) de exceder sua autoridade e interferir demais na seleção do Secretário-Geral, cujo direito de indicação cabe ao Conselho de Segurança da ONU.
Até o momento, oito candidatos se inscreveram para o cargo. Baerbock e a Mesa Diretora da Assembleia Geral organizaram audiências públicas e enviaram cartas ao Conselho de Segurança Mas quem são os candidatos a essa posição de destaque? Grynspan foi vice-presidente da Costa Rica e atualmente dirige a Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento Econômico (UNCTAD) em Genebra. Em 2022, ela mediou com sucesso o conflito entre Moscou e Kiev para o transporte seguro de grãos e alimentos dos portos ucranianos. Grynspan critica a ONU como uma "organização avessa ao risco." Ela recebeu o maior número de votos na votação inicial para suceder Guterres no Conselho de Segurança da ONU no final de julho.
A chilena de 74 anos, Bachelet, foi torturada por sua resistência à junta do ditador chileno Augusto Pinochet. Em 2006, os cidadãos do Chile a elegeram a primeira mulher presidente do país. Posteriormente, atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Nesse cargo, ela alienou diversos países, especialmente a China: Bachelet irritou Pequim com seus relatórios sobre as ações da China contra a minoria uigur no país.
Bachelet insiste que o Secretário-Geral da ONU deve possuir uma "voz moral" para poder liderar — mesmo sob pressão das grandes potências. Sua candidatura é apoiada pelo México e pelo Brasil. O Chile retirou seu apoio após a posse do presidente de extrema-direita, José Antonio Kast Republicanos dos EUA criticam Bachelet por seu apoio ao direito ao aborto.
María Fernanda Espinosa Espinosa foi ministra das Relações Exteriores do Equador e também presidiu a Assembleia Geral da ONU. Ela descreveu a ONU como a única plataforma universal para abordar os desafios comuns da humanidade. Ao mesmo tempo, defende a reforma da organização.
Aos 61 anos, ela propôs a criação de um sistema de alerta precoce para conflitos. A candidatura de Espinosa é apoiada por Antígua e Barbuda, mas não por seu próprio país.
O argentino Grossi, de 65 anos, chefia a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desde 2019. Segundo alguns observadores, Grossi adota uma postura mais radical em relação à reforma da ONU. Ele defende um Secretário-Geral da ONU mais atuante.
Carolyn Rodrigues-Birkett Rodrigues-Birkett é a ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana, país caribenho. Atualmente, representa seu país nas Nações Unidas Rodrigues-Birkett afirmou que a ONU precisa restaurar sua "credibilidade" no cenário mundial. No entanto, ela reconhece que a organização está alcançando resultados em muitas áreas, como desenvolvimento e direitos humanos.
Aos 52 anos, Rodrigues-Birkett é a mais jovem dos oito candidatos. No primeiro turno das eleições, no final de julho, ela ficou em segundo lugar.
A diplomata e política equatoriana, de 75 anos, atuou como embaixadora em Washington, D.C., onde, segundo relatos, manteve boas relações com o presidente dos EUA, Donald Trump Filha de pais libaneses, A-Baki desempenhou um papel fundamental na mediação do diálogo entre Equador e Peru após a breve guerra de fronteira entre os dois países em 1995.
A-Baki defende uma ONU menos burocrática. A organização deveria estar mais focada em resultados concretos. Ao mesmo tempo, A-Baki se apresenta como uma diplomata capaz de revitalizar o multilateralismo.
Macky Sall
O ex-presidente do Senegal, Macky Sall, é um dos dois únicos candidatos que não são da América Latina. Em sua candidatura, o político de 64 anos enfatiza particularmente a representação do Sul Global nas instituições internacionais. O judiciário senegalês o acusa de ter reprimido brutalmente os protestos em seu país entre 2021 e 2024.
Olara Otunnu
Otunnu, de Uganda, atuou como Subsecretária-Geral da ONU e Representante Especial para Crianças e Conflitos Armados de 1997 a 2005, durante o mandato do então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan. O político de 75 anos também atuou como embaixador de Uganda na ONU e, brevemente, como ministro das Relações Exteriores de seu país. Ele concorreu pelo Congresso Popular de Uganda, partido de oposição, nas eleições presidenciais de 2011 na nação da África Oriental Foi derrotado pelo presidente Yoweri Museveni, que estava no poder desde 1986.
Como funciona o processo eleitoral?
O processo de seleção é realizado em várias etapas: os 15 membros do Conselho de Segurança votam a portas fechadas até que um candidato receba os nove votos necessários. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Rússia – têm poder de veto.
A Assembleia Geral confirma a indicação do Conselho de Segurança por maioria simples. Até o momento, as indicações para o Conselho de Segurança sempre foram aceitas. A posse está marcada para 1º de janeiro.