
Quando o alvo de enorme atenção da mídia tira a própria vida, os jornalistas devem ser culpados? Na sexta-feira, Jason Arday faleceu por suicídio. Em 2023, ele ganhou reconhecimento mundial como o professor negro mais jovem a ser nomeado na história de Cambridge, tendo superado, segundo seu próprio relato, o autismo não verbal na infância. No início deste mês, Arday renunciou após um escândalo de plágio abalar sua carreira, levando a uma ampla cobertura na imprensa britânica e internacional. E, de acordo com muitos nas redes sociais, essa cobertura foi diretamente responsável por sua morte. Uma conta do Instagram nomeou 26 jornalistas e colunistas que contribuíram para o escrutínio "insanamente revoltante" de Arday e para "coletivamente fazer com que esse homem se sentisse como se não houvesse lugar para ele na Terra".
A postagem que acompanhava a publicação solicitava "qualquer informação sobre essas pessoas, pessoal ou profissional". Havia uma clara insinuação de retaliação, mas por quê? Esses jornalistas estavam fazendo seu trabalho: reportando ou comentando uma história em andamento sobre uma figura importante de uma universidade de elite que supostamente plagiou trabalhos e inventou elementos de sua história de vida. De acordo com o próprio Arday, ele teve muito azar na vida. Ele teve tumores (alguns no cérebro, segundo seu livro de memórias, Great and Unfortunate Things, que resenhei para o The Times de Londres, e um no testículo, segundo a proposta para esse livro). Ele foi espancado aleatoriamente por quatro jovens, o que lhe causou epilepsia (não encontrei relatos da época para corroborar isso).
Ele foi atropelado por um carro e ficou em coma por meses (outra história que estava na proposta, mas não no texto final). Desvendar a veracidade, ou não, dessas alegações se tornou um esporte nacional nas últimas quatro semanas. O maior azar de Arday, porém, é inquestionável. Foi uma enorme infelicidade que as questões sobre a vida e a carreira dele viessem à tona no verão, quando o Parlamento está fechado no Reino Unido e a agenda de notícias está vazia. A postagem de Nathan Cofnas no Substack que deu início à queda de Arday foi publicada em 21 de julho — um dia depois da posse do novo primeiro-ministro em Westminster e dois dias depois da final da Copa do Mundo. Como país, estávamos desesperados por algo para conversar.