Surto de Ebola no Leste da África atinge 1.480 casos e se estende à Europa; França e Alemanha registram infecções importadas
Agência de Saúde Global — 3 de julho de 2026
O surto de doença por vírus Ebola causado pela cepa Bundibugyo continua a se expandir na República Democrática do Congo (RDC) e mantém vigilância ativa em Uganda, enquanto dois casos importados recentes na Europa levantam a alerta sanitário internacional. De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), o balanço epidemiológico — atualizado até a véspera — já registra milhares de infecções confirmadas e dezenas de óbitos na região dos Grandes Lagos Africanos.
A República Democrática do Congo permanece como epicentro da crise sanitária. Até o dia 30 de junho, o país acumulava 1.460 casos confirmados, sendo que 641 pacientes permaneciam hospitalizados em isolamento. O número de vítimas fatais chegou a 452, o que representa um salto de 54 novas infecções e 14 mortes em relação ao boletim anterior. Entre os casos mais recentes, nove evoluíram para óbito.
Apesar da gravidade, há indicadores de resposta: 213 pessoas já se recuperaram da doença, e as autoridades de saúde mantêm 82,7% dos contatos identificados sob monitoramento ativo nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
A província de Ituri concentra a esmagadora maioria das infecções, com 1.333 casos confirmados e 380 mortes distribuídos em 24 das 36 zonas de saúde locais. Em Kivu do Norte, foram contabilizados 124 casos e 71 óbitos em 11 zonas de saúde. Já em Kivu do Sul, o surto ainda é incipiente, mas presente: três casos e uma morte foram registrados em uma única zona de saúde. Ao todo, 36 das 104 zonas de saúde das três províncias encontram-se em situação de transmissão ativa.
Uganda contém avanço, mas transmissão local preocupa
Do outro lado da fronteira, o Ministério da Saúde de Uganda oferece um cenário momentaneamente mais estável. Até 1º de julho, o país somava 20 casos confirmados e duas mortes. O último paciente diagnosticado teve a infecção confirmada em 21 de junho, e desde então nenhum novo caso foi notificado. Entre os infectados, 15 tinham histórico de viagem à RDC, enquanto cinco estavam ligados a cadeias de transmissão local — um dado que sinaliza que o vírus cruzou a fronteira de forma autônoma. Quinze pessoas já receberam alta.
Europa registra dois casos importados; risco para população geral é "muito baixo"
O surto deixou de ser restrito ao continente africano. Em 24 de junho, a França notificou um caso importado ao ECDC. Simultaneamente, um cidadão norte-americano infectado em área afetada da RDC foi evacuado para a Alemanha para receber tratamento médico. Ambos os pacientes estavam diretamente ligados às zonas de transmissão ativa no leste congolês.
Apesar das importações, o ECDC manteve a avaliação de que a probabilidade de infecção para residentes da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu (UE/EEE) continua "muito baixa". A agência ressalva, no entanto, que ainda existem "lacunas significativas" nos sistemas de vigilância e na compreensão epidemiológica da cadeia de transmissão na África Central.
O ECDC confirmou que segue monitorando a evolução da epidemia "de perto" e que uma nova atualização deve ser publicada na próxima segunda-feira, 6 de julho. Um relatório semanal de ameaças transmissíveis continua sendo emitido com dados consolidados sobre a progressão do vírus Bundibugyo.
Com informações do ECDC.
