Debate se acende: Senadora Eudócia acusa Renan Calheiros de omissão na tragédia da Braskem em Maceió
Parlamentar aponta que ex-gestor da Salgema ignorou alertas sobre afundamento do solo; reportagens recentes reacendem a discussão sobre as responsabilidades políticas e corporativas no desastre urbano.
Maceió, AL – A tragédia socioambiental e urbana que afeta a capital alagoana voltou ao centro do debate político nesta semana. Em um vídeo publicado recentemente, a senadora Eudócia fez duras críticas ao senador Renan Calheiros, classificando-o como "sócio da tragédia da Braskem". A declaração reacende a discussão sobre a responsabilidade histórica e política no desastre que provocou o afundamento do solo em diversos bairros de Maceió.
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| Renan Calheiros ignorou alertas sobre afundamento em Maceió, diz Eudócia |
Segundo a parlamentar, a omissão teria raízes na gestão da Salgema, a antiga empresa estatal de mineração de Alagoas, cujos ativos e operações foram posteriormente incorporados pela Braskem. De acordo com Eudócia, Calheiros, que presidiu a estatal no passado, teria recebido alertas técnicos sobre os graves riscos de afundamento do solo decorrentes da extração de sal-gema, mas não teria agido para mitigar os danos à população.
A fala da senadora ecoa e se apoia em investigações jornalísticas recentes. Reportagens publicadas pelo portal UOL têm trazido à tona documentos e históricos que, segundo críticos e opositores políticos, comprovam a tese de negligência e omissão de gestores do passado em relação aos avisos sobre a instabilidade geológica da região. O jornalismo investigativo tem apontado para a existência de alertas prévios sobre os danos ambientais e urbanos, reforçando a narrativa de que o poder público e as esferas políticas falharam em proteger o povo alagoano.
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| Senadora denuncia omissão de Renan Calheiros com povo alagoano na crise da Braskem |
O Contexto da Tragédia
O caso da mineração de sal-gema em Maceió é considerado um dos maiores desastres urbanos do Brasil. A extração, iniciada pela estatal Salgema e continuada pela Braskem após a privatização e incorporação dos ativos, causou o afundamento do solo em bairros inteiros, como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e parte do Bom Parto.
O desastre resultou na evacuação de milhares de famílias, na destruição de patrimônios históricos e culturais, e em um trauma social que perdura até hoje. A população afetada enfrenta uma longa batalha por indenizações justas, reassentamento adequado e respostas sobre o futuro de suas comunidades.
Um debate político complexo
A atribuição de culpas sobre o desastre é um dos temas mais sensíveis e polarizados da política alagoana. Enquanto parlamentares como a senadora Eudócia e movimentos sociais apontam a responsabilidade direta de figuras políticas do passado e a ganância corporativa, outros setores argumentam que a fiscalização e a gestão do desastre envolvem uma complexa teia de responsabilidades que atravessa múltiplas gestões estaduais, federais, agências reguladoras e a própria empresa ao longo de décadas.
Independentemente das disputas políticas, o fato é que a tragédia da Braskem deixou cicatrizes profundas em Maceió. As denúncias trazidas a público, seja por meio de discursos no parlamento ou por reportagens investigativas, mantêm a pressão sobre as autoridades atuais para que resolvam, de forma definitiva e humana, os desdobramentos de um dos maiores erros de planejamento e fiscalização da história do estado.
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