EUA acusam Raúl Castro por atrocidade de 1996: Trump garante que não haverá escalada militar, mas pressão máxima continua.
Washington/Miami — 20 de maio de 2026
Em um movimento histórico de responsabilização, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 20 de maio, a acusação formal de Raúl Castro e mais cinco membros do regime cubano pelo abate, em 1996, de duas aeronaves da organização humanitária Irmãos ao Resgate — crime que ceifou a vida de quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos.
EUA acusam Raúl Castro por assassinato de americanos, mas Trump descarta guerra: "Não haverá escalada"
O presidente Donald Trump, ao ser questionado por repórteres antes de embarcar na base militar de Andrews, minimizou a possibilidade de escalada militar, mas deixou claro que a postura dos Estados Unidos será de firme pressão diplomática e econômica.
"Não haverá escalada, não há necessidade disso. A situação está se desintegrando. Eles realmente perderam o controle de Cuba", declarou Trump.
O presidente reforçou que a comunidade cubano-americana — especialmente em Miami, mas também além — "aprecia o que o procurador-geral acabou de fazer hoje". A mensagem é um aceno direto à base eleitoral que historicamente pressiona por medidas duras contra o regime de Havana.
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| "Eles perderam o controle": Trump acusa Raúl Castro por massacre de 1996 e promete ajuda ao povo cubano |
Acusações graves e responsabilização histórica
Em coletiva de imprensa em Miami, o Procurador-Geral interino Todd Blanche detalhou as acusações: Raúl Castro e os demais réus — Lorenzo Alberto Pérez-Pérez, Emílio José Palácio Blanco, José Fidel Gual Bárzaga, Raúl Simanca Cárdenas e Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, todos pilotos de caça — respondem por cinco crimes, incluindo "conspiração para assassinar cidadãos americanos", quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronaves.
Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, que já está sob custódia dos EUA, aguarda sentença no final deste mês no Middle District da Flórida por declarações falsas em documento de imigração.
O diretor do FBI, Kash Patel, classificou a acusação como "um passo importante rumo à responsabilização" pelos assassinatos de Carlos Costa, Armando Alejandre Jr., Mario de la Peña e Pablo Morales — os quatro membros da Irmãos ao Resgate abatidos há quase três décadas.
Bloqueio de petróleo e deterioração do regime
Trump indicou que fará um anúncio "em breve" sobre o bloqueio parcial de petróleo imposto por Washington a Havana desde janeiro. A medida já surtiu efeito: desde o início do embargo parcial, o regime recebeu apenas um único carregamento de petróleo bruto da Rússia, no final de março — um sinal claro de que a pressão econômica está sufocando as finanças do governo cubano.
Questionado sobre o futuro da ilha, Trump foi categórico:
"Veremos. É uma nação que está em declínio, você vê, está se desintegrando... mas estamos lá para ajudar. Estamos lá para ajudar as famílias, o povo."
O presidente reafirmou que não vê necessidade de intervenção armada:
"Não haverá escalada. Não acho que seja necessário. O lugar está se deteriorando. É um desastre, e eles perderam o controle até certo ponto."
Mensagem direta ao povo cubano
Na mesma data, por ocasião do Dia da Independência de Cuba (1902), Trump enviou uma mensagem contundente aos cubanos, alertando que "os Estados Unidos não tolerarão um Estado pária que abriga operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano".
Ele prometeu ainda:
"Não descansaremos até que o povo cubano recupere a liberdade pela qual seus ancestrais lutaram tão bravamente há mais de 100 anos."
Rubio:
"Cuba é controlada pela GAESA, não por nenhuma revolução"O Secretário de Estado Marco Rubio, político cubano-americano de ascendência, gravou um vídeo dirigido aos cubanos para explicar os benefícios de uma nova relação entre Washington e "uma nova Cuba".
Em declaração que ressoa entre os críticos do regime, Rubio afirmou:
"Cuba não é controlada por nenhuma revolução, Cuba é controlada pela GAESA" — referindo-se ao conglomerado empresarial militar que domina os setores mais lucrativos da economia da ilha.
A fala de Rubio reforça a narrativa da administração Trump de que a mudança em Cuba passa não por confronto militar, mas por desmantelar as estruturas de poder econômico que sustentam o regime, abrindo espaço para uma transição negociada e beneficiando diretamente a população civil.
A postura da Casa Branca combina firmeza judicial — com a acusação histórica de Raúl Castro — com uma estratégia de pressão econômica crescente, ao mesmo tempo em que descarta escalada militar e se apresenta como aliado do povo cubano, não do regime que o oprime há mais de meio século
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